Por que mulheres de 40 anos estão no auge do consumo consciente e das escolhas pessoais

 

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A chegada aos 40 anos tem marcado, para muitas mulheres, uma mudança de eixo. Não se trata de negar o envelhecimento, mas de reposicionar prioridades, expectativas e escolhas. Essa faixa etária concentra hoje um grupo que tende a decidir com mais critério sobre tempo, corpo e consumo, distante da lógica da urgência e da validação externa.

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A discussão ganhou fôlego recentemente após Deborah Albuquerque afirmar, em suas redes sociais, que mulheres de 40 anos “não estão atrasadas, estão no auge”. A frase dialoga com um movimento já observado por estudos de comportamento e pelo próprio mercado, que identificam mulheres entre o fim dos 30 e meados dos 40 como protagonistas em decisões relacionadas a autocuidado, saúde estética, bem-estar e experiências de valor.

O interesse crescente, no entanto, não se apoia na tentativa de parecer mais jovem. Trata-se de uma geração que atravessou diferentes fases da vida adulta, construiu trajetórias profissionais, lidou com expectativas externas e passou a estabelecer limites com mais clareza. Nesse contexto, o conceito de luxo se desloca da aparência para critérios como coerência, conforto e presença.

Essa mudança também aparece na relação com a alimentação. Para a nutricionista Renata Branco, especializada em saúde feminina, a maturidade altera de forma significativa a maneira como mulheres se alimentam. “Depois dos 40, a mulher deixa de comer para corresponder a um padrão estético e passa a comer para sustentar energia, equilíbrio hormonal e bem-estar real. É uma relação menos punitiva e muito mais estratégica com o próprio corpo”, afirma.

Não se trata de negar o envelhecimento, mas de reposicionar prioridades, expectativas e escolhas

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Segundo a especialista, essa fase costuma ser acompanhada por uma escuta corporal mais atenta e escolhas mais conscientes. “Há menos interesse em dietas restritivas e mais atenção à qualidade do que se consome. A nutrição passa a ser uma aliada da longevidade, da clareza mental e da qualidade de vida, não uma ferramenta de controle”, completa.

Com a maturidade, os critérios de consumo também se transformam. Diminui a busca pelo excesso e pela urgência, assim como a necessidade de provar algo. Em contrapartida, ganham espaço decisões mais precisas, um olhar estético mais apurado e uma relação mais direta com o bem-estar. A idade passa a funcionar como um ativo, não como obstáculo.

Esse reposicionamento feminino impacta setores como beleza, saúde, moda, turismo e mercado de luxo, que passam a dialogar com um público mais informado, exigente e emocionalmente consciente — mulheres que consomem menos por impulso e mais por afinidade.

“Minha geração não está envelhecendo. Está refinando”, resume Deborah Albuquerque. “Hoje sabemos o que faz sentido consumir, onde vale investir energia e o que não nos representa mais.”

O fortalecimento desse debate ocorre em um contexto mais amplo, em que temas como etarismo, bem-estar integral e revisão dos papéis femininos ganham espaço na sociedade e na mídia. Mais do que uma tendência, o que se desenha é uma mudança cultural em curso, que demanda menos rótulos e mais escuta.