À primeira vista, o Bridge não parece exatamente ameaçador.
Com 88 centímetros de altura, 13 quilos e braços de até 40 centímetros terminados em pequenas pinças de dois dedos, o novo robô humanoide da startup chinesa Zeroth tem dimensões bem menores que as de uma pessoa.
Mas talvez a característica mais interessante – e potencialmente alarmante – do robô não esteja em sua aparência nem nas habilidades que saem de fábrica.
Está no que outras pessoas poderão fazê-lo aprender.
Apresentado nesta quarta-feira, 2 de agosto, o Bridge foi desenvolvido em conjunto com o OpenBridge, um ecossistema totalmente open source que permite que desenvolvedores criem, modifiquem e compartilhem novas capacidades para o robô.
A proposta da Zeroth é fazer com a robótica algo semelhante ao que plataformas abertas fizeram com os smartphones: permitir que terceiros ajudem a definir o que o equipamento é capaz de fazer.
Segundo a Zeroth, o humanoide custa menos de US$ 4 mil e foi pensado como uma espécie de laboratório pessoal de "IA física" para desenvolvedores, pesquisadores e criadores de hardware.
O Bridge chega com algumas habilidades prontas.
De acordo com a fabricante, consegue caminhar sobre duas pernas, desviar de obstáculos e executar uma biblioteca de movimentos e coreografias semelhantes aos humanos.
A Zeroth também afirma que seu pacote básico permite movimentos mais dinâmicos, incluindo danças e até mortais para trás.
A diferença está no acesso dado a quem quiser desenvolver novas aplicações para a máquina.
Desenvolvedores terão acesso a kits de desenvolvimento de software (SDKs), APIs abertas de controle de movimento e integração com captura de movimentos e realidade virtual.
Isso permite implementar algoritmos próprios, ajustar o comportamento do robô para diferentes situações e criar novas habilidades.
O OpenBridge pretende funcionar como a camada que conecta esses desenvolvedores.
O ecossistema reúne ferramentas de desenvolvimento, recursos compartilhados de treinamento e um hub público, no qual capacidades criadas pela comunidade poderão ser compartilhadas e aproveitadas por outros participantes.
Na prática, a Zeroth quer que as possibilidades do Bridge não sejam determinadas apenas por quem construiu o robô.
Criadores ao redor do mundo poderão participar do desenvolvimento daquilo que a máquina consegue fazer.
A própria companhia compara a estratégia ao Android.
A ideia é explorar para os robôs uma dinâmica semelhante à que permitiu que desenvolvedores externos ampliassem as possibilidades dos smartphones.
Startup quer atrair desenvolvedores
Para estimular esse processo, a Zeroth também anunciou o Bridge Builder Program, iniciativa destinada a reunir os primeiros participantes do ecossistema.
Na etapa inicial, 500 desenvolvedores serão selecionados para um desafio de cocriação.
Os 200 primeiros terão acesso gratuito ao Bridge para experimentar o equipamento e participar do desenvolvimento do OpenBridge.
Os outros 300 selecionados terão prioridade na compra do robô, além de acesso ao SDK e possibilidade de participar das próximas etapas do programa.
"Esperamos que, um dia, todos possam participar da criação de robôs.
Para tornar isso possível, queremos tornar a robótica mais aberta para todos", afirmou Renjie Guo, fundador e CEO da Zeroth em nota oficial.
"Não faltam muros e fronteiras no mundo.
Nós escolhemos construir pontes."
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