Por que é tão difícil acreditar no fim de casais famosos que ficaram juntos por anos?

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Quando William Bonner e Fátima Bernardes anunciaram o fim do casamento, em 2016, a notícia causou surpresa não apenas pela separação, mas pelo que os dois representavam para parte do público. Foram 26 anos juntos, três filhos e uma trajetória acompanhada de perto pela televisão. Uma década depois, ao voltar a falar sobre a relação, o jornalista questionou a ideia de que o casamento teria "dado errado" simplesmente porque chegou ao fim. Fátima Bernardes responde a Túlio Gadêlha após foto com William Bonner repercutir: 'Orgulho' Fala de William Bonner sobre divórcio com Fátima Bernardes repercute na web: 'Quanta maturidade' A reflexão ajuda a explicar por que términos de relacionamentos longos entre pessoas conhecidas costumam provocar tanta repercussão. Quando uma história é acompanhada durante anos, o público passa a reconhecer aquele par como uma unidade. A longevidade, então, pode criar a impressão de permanência, mesmo que a intimidade e as transformações vividas pelo casal estejam fora do alcance de quem observa de longe. Foi algo semelhante com Sandy e Lucas Lima. Em 2023, depois de 24 anos de relacionamento e 15 de casamento, os dois anunciaram a separação. Na ocasião, afirmaram que não havia briga, mágoa ou trauma e descreveram a história construída ao longo dos anos de maneira positiva. "A família que a gente construiu é pra sempre", escreveram. Outras relações conhecidas também chegaram ao fim depois de muitos anos. Claudia Raia e Edson Celulari encerraram um casamento de 17 anos. Zezé Di Camargo e Zilu ficaram juntos por cerca de três décadas, enquanto Joelma e Ximbinha anunciaram o término de uma união de 18 anos. Em diferentes momentos, esses relacionamentos foram acompanhados pelo público como parte da trajetória dos próprios artistas. É justamente essa familiaridade que pode tornar a separação mais difícil de assimilar. Para o jornalista e especialista em branding digital Cacau Oliver, a exposição prolongada contribui para que a relação adquira um significado que vai além da vida privada. "Um casal famoso funciona quase como uma marca. O público acompanha aquela história na televisão, nas revistas, nas campanhas e nas redes sociais, vê os filhos crescerem e cria uma conexão com aquela imagem. Quando acontece a separação, é como se uma marca que você acompanha há décadas deixasse de existir", analisa. Quando o casal vira parte da memória do público Ao longo dos anos, imagens, entrevistas, aparições públicas e momentos familiares ajudam a formar uma narrativa sobre essas relações. O público acompanha aniversários, mudanças de casa, nascimento dos filhos, projetos profissionais e comemorações. Aos poucos, o casal deixa de ser percebido apenas como duas pessoas em um relacionamento e passa a ocupar um lugar próprio no imaginário coletivo. Isso ajuda a entender por que o tempo de união pesa tanto na reação diante de um término. Quanto mais longa a história acompanhada de fora, maior pode ser a sensação de que aquele vínculo era definitivo. Só que a imagem pública representa apenas uma parte da experiência vivida pelos envolvidos. Nos casos de Bonner e Fátima, Sandy e Lucas, Claudia e Edson, Zezé e Zilu e Joelma e Ximbinha, as trajetórias foram diferentes, assim como as circunstâncias de cada separação. O ponto em comum está menos nos motivos que levaram ao fim e mais na percepção construída ao longo do tempo: a de que aquelas duplas permaneceriam juntas. Para Cacau, essa expectativa também se relaciona à maneira como histórias de amor são apresentadas desde a infância. "Nós crescemos assistindo novelas, filmes e histórias em que o casal enfrenta tudo e, no final, fica junto. Fomos quase treinados a torcer pelo ‘felizes para sempre’. Quando um casal famoso que acompanhamos durante 20 ou 30 anos se separa, é como se alguém mudasse o final de uma novela que você acompanhou por décadas. O público sente que aquela história terminou do jeito errado, quando, na verdade, talvez ela só tenha terminado. E isso não apaga tudo o que deu certo antes", conclui.

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