Por que cruzeiros como o MV Hondius são o lugar ideal para proliferação de doenças

 

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Com os números de casos de Hantavirus chegando a pelo menos sete no MV Hondius, o navio de cruzeiro que vem sendo manchete de jornal em todo mundo, uma pergunta começa a aparecer: será que os navios de cruzeiros são o lugar ideal para o aparecimento de doenças como o hantavirus?

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Já são três mortes confirmadas e uma investigação da OMS em andamento, mas sabia que surtos de doenças infecciosas no mar não são novidade.

É claro que as situações variam: os riscos sempre vão depender do cruzeiro e quem a opera, das medidas de proteção tomadas, do destino, do tempo de viagem etc. Em entrevista ao NY Post , Omer Awan, médico e colaborador sênior de saúde pública da Forbes, explicou, porém, que o caso do MV Hondius é um exemplo clássico de como os vírus respiratórios podem se espalhar com muita facilidade e eficiência em um espaço confinado como um navio de cruzeiro.

No início da pandemia da COVID-19, por exemplo, um navio com quase quatro mil passageiros, o Diamond Princess, passou duas semanas isolado: foram dez mortes e 700 infectados.

Por que navios são o lugar ideal para surtos de doenças?

Para Raymond Alvarez, imunologista e virologista, os cruzeiros são, basicamente, um ecossistema semi-fechado e denso, onde centenas — ou até milhares de pessoas — compartilham de tudo: alimentos, talheres, superfícies e o próprio ar.

Um exemplo que ele dá são os buffets, em que o mesmo talher é compartilhado por muitas pessoas, além de parte da comida ficar exposta a patógenos. Dentro de navios, também são comuns boates e acomodações pequenas, com pouca ventilação, fazendo com que doenças transmitidas pelo ar tenham um ambiente favorável à proliferação.

Isso sem contar as piscinas e hidromassagens, compartilhadas por todos.

“Há também rotatividade de tripulantes entre as viagens, e eles podem transportar germes entre os grupos de passageiros, o que muitas vezes explica por que surtos podem persistir em várias viagens consecutivas do mesmo navio”, diz Jason Marguiles, advogado marítimo.

Quais são as doenças mais comuns em cruzeiros?

Para Ower Awan, as doenças mais comuns em navios de cruzeiro são aquelas que afetam o sistema digestivo,“como o norovirus; a propagação ocorre facilmente através de alimentos e superfícies contaminadas, e, claro, pelo contato entre pessoas”.

Outras contaminações como salmonella e E. Coli também são frequentes: “Se os alimentos estiverem contaminados, podem ser ingeridos por centenas de convidados, causando rapidamente grandes surtos”, alertou ela”, diz Jill Robert, especialista em epidemiologia molecular.

E, claro, as doenças transmitidas pelo ar como o COVID-19 e a gripe comum também tendem a ser muito comuns, principalmente nas populações mais velhas — que tendem a ser a maioria em cruzeiros.

O que é o pior que pode acontecer?

Para Alvarez, o pior tipo de doença que pode começar a se proliferar num cruzeiro é um vírus altamente contagioso transmitido pelo ar: “algo semelhante ao sarampo ou uma nova cepa pandêmica, que se espalha por uma população amplamente suscetível”, diz.

“Nesse contexto, a proximidade e o ar compartilhado em um navio podem transformar um único caso em um surto que se alastra por toda a embarcação muito rapidamente”, completa.

Como se proteger em cruzeiros?

As empresas de cruzeiro estão atentas aos casos de transmissão de doenças dentro do navio, e, por isso, tendem a adotar medidas de precaução e isolamento antes que a situação saia fora de controle.

No entanto, o cuidado nunca é demais e já começa antes mesmo do navio sair do porto: mantenha sempre suas vacinas atualizadas e busque saber se, na sua viagem, serão necessárias vacinas específicas, como a de febre amarela.

Dentro do navio, lembre-se sempre de lavar as mãos e antes de comer. Fique atento, também, à comida: evite alimentos que estão há muito tempo servidos — ou que pessoas pegaram com a mão.