Por que atletas repetem movimentos antes de competir

Por que atletas repetem movimentos antes de competir - Foto
Fonte da notícia: Olimpiada Todo Dia Olimpiada Todo Dia

Antes de uma cobrança de falta, um jogador pode ajeitar a bola e repetir alguns movimentosJogando basquete, o atleta quica a bola antes do lance livre. No tênis, o jogador realiza uma sequência de gestos antes do saque. No golfe, é comum fazer um ou dois swings de treino antes de bater na bola.

SIGA O OTD NO WHATSAPP, YOUTUBE, TWITTER, INSTAGRAM, TIK TOK E FACEBOOK

Para quem observa de fora, pode parecer apenas hábito.

Mas existe uma razão para muitos atletas repetirem movimentos que já fizeram milhares de vezes durante os treinamentos: a repetição imediatamente antes da execução pode ajudar a preparar o sistema motor para aquele gesto específico.

Isso não significa que repetir qualquer movimento antes de uma competição vá automaticamente melhorar o desempenho. O efeito depende do tipo de tarefa, do atleta e da maneira como a preparação é feita.

Mais sobre treinoBem-Estar Todo DiaSão Silvestre 2026: como se preparar para os 15 kmBem-Estar Todo DiaAgachamento na parede: como fazer e benefícios do exercícioBem-Estar Todo DiaÁlcool e treino: como a bebida pode atrapalhar sua recuperaçãoBem-Estar Todo DiaPor que o calor faz seu treino parecer muito mais difícil?

Repetir pode deixar o movimento mais preciso

Um estudo publicado no Journal of Neurophysiology investigou justamente uma pergunta que parece simples: por que atletas continuam fazendo movimentos de prática mesmo depois de dominá-los?

Os pesquisadores fizeram participantes repetirem movimentos direcionados a um mesmo alvo em sequências de uma a seis tentativas. Conforme o gesto era repetido, houve redução da variabilidade do movimento ao longo de sua trajetória. Os participantes também iniciaram os movimentos mais rapidamente.

O experimento não foi realizado com atletas em uma competição real, mas ajuda a explicar um comportamento observado no esporte.

A ideia é que uma pequena sequência de repetições pode ajustar o sistema motor para aquilo que está prestes a acontecer.

É diferente de aprender um movimento novo.

Nesse caso, o atleta já sabe executar o gesto. A repetição serve como uma espécie de preparação imediata.

É por isso que o golfista faz um swing antes da tacada?

Esse é um dos exemplos usados pelos próprios pesquisadores.

Golfistas profissionais passam anos treinando o swing, mas ainda costumam fazer movimentos de prática antes de executar a tacada. A pesquisa mostrou que mesmo movimentos muito bem treinados podem apresentar benefícios relacionados à repetição imediata.

O movimento de preparação permite que o atleta reproduza alguns dos elementos da ação que fará em seguida.

Isso pode ajudar o cérebro e o corpo a organizar novamente características como direção, amplitude e timing do gesto.

Mas existe uma diferença importante entre preparar o movimento e ficar repetindo indefinidamente.

O objetivo não é cansar a musculatura antes da competição.

Repetição também pode fazer parte de uma rotina

Existe ainda outro componente: a chamada rotina pré-performance.

Ela é formada por uma sequência de comportamentos físicos e mentais realizada antes de uma ação esportiva.

Pode incluir movimentos específicos, respiração, concentração, visualização ou outras ações que o atleta aprendeu a associar à preparação.

Uma declaração de posicionamento publicada em 2026 pela Exercise and Sports Science Australia (ESSA), baseada na literatura disponível sobre desempenho sob pressão, inclui as rotinas pré-performance entre as estratégias que podem ser utilizadas para ajudar atletas a lidar com situações competitivas.

O objetivo não é criar uma superstição.

É construir uma sequência que ajude o atleta a direcionar a atenção para a tarefa que está prestes a realizar.

O lance livre é um bom exemplo

No basquete, o lance livre é uma situação particularmente interessante porque o jogador tem alguns segundos para se preparar antes de arremessar.

Um estudo analisou 284 lances livres realizados em 14 partidas de playoffs da NBA e observou as rotinas comportamentais dos jogadores antes dos arremessos.

Os atletas apresentaram maior taxa de acerto quando seguiram sua sequência comportamental predominante do que quando se desviaram dela. O resultado, porém, mostra uma associação e não prova que a rotina, sozinha, seja responsável pelo acerto.

Isso ajuda a entender por que alguns jogadores repetem quase exatamente os mesmos movimentos antes de cada lance.

Quicar a bola algumas vezes, posicionar os pés, respirar e olhar para a cesta podem fazer parte de uma sequência que o atleta já conhece.

Repetir não significa fazer tudo sempre igual

Existe uma diferença entre ter uma rotina e tentar controlar cada detalhe dela.

Pesquisas sobre rotinas pré-performance mostram que a consistência pode ser útil, mas isso não significa que o atleta precise reproduzir exatamente o mesmo número de segundos em todas as situações.

Um estudo com cobradores de pênalti do rugby analisou 572 cobranças da Copa do Mundo de 1999 e não encontrou diferença entre os melhores e os piores chutadores em relação ao tempo ou à consistência temporal de suas rotinas. A duração da preparação também variava conforme a dificuldade da cobrança e a situação do jogo.

Ou seja, ter uma rotina não significa ficar preso a um cronômetro.

O mais importante é que a sequência ajude o atleta a entrar no estado de preparação adequado para aquela ação.

E se o atleta estiver sob pressão?

É justamente aí que a rotina pode ganhar importância.

Em uma competição, o atleta precisa lidar não apenas com o movimento, mas também com torcida, adversário, placar, expectativa e consequências do resultado.

Uma rotina conhecida pode funcionar como uma espécie de ponto de referência.

Em vez de concentrar a atenção em pensamentos como “não posso errar”, o atleta pode direcioná-la para ações concretas que fazem parte da execução.

Uma revisão e meta-análise publicada em 2026 reuniu 21 estudos sobre estratégias para reduzir a queda de desempenho sob pressão. Entre as intervenções analisadas estavam rotinas pré-performance, atenção visual, mindfulness e outras estratégias psicológicas. Os efeitos foram mais consistentes em tarefas esportivas de habilidade fechada, embora os autores ressaltem diferenças conforme o tipo de modalidade e a qualidade das evidências.

Isso vale para quem não é atleta profissional?

Sim, mas sem transformar uma rotina pré-performance em obrigação.

Um praticante recreativo pode se beneficiar de uma pequena sequência de preparação antes de uma atividade que exige precisão.

Um tenista amador pode respirar, posicionar-se e realizar o movimento preparatório antes do saque.

Um jogador de basquete pode estabelecer uma rotina simples antes do lance livre.

Um golfista pode fazer seu swing de preparação.

O objetivo é criar uma transição entre “estou esperando para executar” e “agora vou executar”.

Não é necessário copiar a rotina de um atleta profissional.

Mais repetição nem sempre é melhor

Essa é uma das principais ressalvas.

A pesquisa que encontrou redução da variabilidade analisou sequências curtas de movimentos. Isso não significa que fazer dezenas de repetições imediatamente antes da competição produzirá um resultado melhor.

Dependendo da modalidade, repetir demais pode gerar fadiga, tirar a atenção da tarefa ou simplesmente consumir energia que será necessária durante a execução.

A preparação deve ser proporcional ao gesto que virá depois.

Um golfista não precisa fazer 50 swings antes de cada tacada.

Um jogador de basquete não precisa quicar a bola durante vários minutos antes de um lance livre.

A ideia é preparar, não treinar naquele momento.

Repetição também pode dar uma referência ao cérebro

Quando um movimento é muito conhecido, o atleta não precisa reconstruir toda a ação do zero a cada tentativa.

A pequena sequência anterior pode funcionar como uma referência imediata para o gesto seguinte.

Isso ajuda a explicar por que movimentos aparentemente banais aparecem tantas vezes antes de ações importantes.

O atleta não está necessariamente tentando melhorar sua técnica naquele instante.

Ele está reativando um padrão que já conhece.

É parecido com reler mentalmente uma frase antes de falar em público ou conferir a posição dos pés antes de iniciar um movimento.

Mas não é uma fórmula para acertar

É importante não transformar esse mecanismo em uma promessa de desempenho.

Nem todo estudo sobre rotinas pré-performance encontra resultados positivos. Uma pesquisa com jogadores de vôlei de praia, por exemplo, não encontrou diferença significativa na precisão do saque entre diferentes intervenções de rotina pré-performance e um grupo de controle.

Além disso, uma estratégia que funciona para um esporte pode não funcionar da mesma maneira em outro.

Modalidades em que o atleta controla o momento da execução, como um lance livre, uma cobrança de pênalti ou uma tacada de golfe, oferecem mais espaço para uma rotina deliberada.

Em esportes de ação contínua e imprevisível, a preparação precisa ser mais flexível.

A repetição pode ser pequena, mas não é necessariamente inútil

O mais interessante nesse comportamento é justamente sua simplicidade.

Um movimento que dura poucos segundos pode ter uma função diferente daquela de um exercício feito durante o treinamento.

Durante a preparação, o atleta não está tentando desenvolver força ou aprender uma habilidade nova.

Está ajustando atenção, movimento e preparação para aquilo que vem imediatamente depois.

É por isso que aquela sequência aparentemente automática pode aparecer tantas vezes nas transmissões esportivas.

O golfista faz o swing antes da tacada.

O jogador de basquete quica a bola antes do lance livre.

O atleta repete o gesto que conhece.

E, em determinadas situações, repetir uma ação bem treinada pode ser uma maneira de preparar o corpo e a atenção para executá-la novamente.

Não é mágica.

Não é necessariamente superstição.

É uma pequena rotina que pode ajudar o atleta a transformar o momento anterior à execução em parte da própria preparação.

O post Por que atletas repetem movimentos antes de competir apareceu primeiro em Olimpíada Todo Dia.

Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X

Deseja ler a íntegra original na fonte jornalística?

Acessar matéria no site Olimpiada Todo Dia