Por que as fantasias sexuais geram culpa e vergonha? Sexóloga explica por que isso não deveria acontecer

 

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Sentir incômodo ou culpa por pensamentos íntimos é mais comum do que parece. No entanto, especialistas em sexualidade afirmam que essas experiências mentais fazem parte do desenvolvimento pessoal e não definem a identidade nem os valores de quem as tem.

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A sexóloga Mónica Branni explicou, em uma conversa com o Cuídate Plus, que as fantasias sexuais são uma expressão habitual da mente e cumprem uma função dentro da vida íntima. Segundo ela, compreendê-las como um fenômeno natural ajuda a reduzir a culpa e favorece o autoconhecimento.

Em seu livro, a autora destaca que esses pensamentos não implicam necessariamente o desejo de colocá-los em prática nem refletem a ética ou os valores pessoais.

— O que passa pela sua cabeça em determinados momentos não define a pessoa que você é — afirmou.

De acordo com Branni, a vergonha costuma surgir quando as fantasias estão relacionadas a temas considerados tabu, como dinâmicas de poder, dominação, participação de várias pessoas ou exibicionismo, ou quando se afastam dos modelos românticos tradicionais.

A especialista explicou que a fantasia funciona como um espaço simbólico que permite explorar desejos de forma segura. Nesse contexto, o mais importante não é tanto o conteúdo, mas o significado pessoal que ele adquire: pode estar ligado a sensações de liberdade, validação ou controle.

Além disso, ela ressaltou que essas representações não surgem da lógica, mas do emocional e do inconsciente. Nesse sentido, uma fantasia que envolve dominação, por exemplo, não necessariamente reflete violência, mas pode estar relacionada à necessidade de entrega ou de abrir mão do controle.

O peso das crenças e o manejo da culpa

A relação que cada pessoa estabelece com suas fantasias é influenciada por crenças e aprendizados prévios. Quando elas geram desconforto, Branni sugere analisá-las, inclusive com apoio profissional, para identificar se o conflito vem de valores pessoais ou de normas adquiridas.

— A vergonha desaparece quando entendemos que aquilo que nos excita não nos torna pessoas sujas nem más — afirmou a sexóloga, que propõe questionar a origem desse incômodo e avaliar se é possível viver essas experiências sem julgamentos.

Fantasias durante o sexo em casal

Outra dúvida frequente é se pensar em outra pessoa durante uma relação sexual pode ser considerado uma forma de traição. Do ponto de vista clínico, a resposta é negativa. Branni sustenta que não há contradição entre fantasiar e compartilhar intimidade com o parceiro.

Segundo ela, essas imagens mentais podem até potencializar a excitação e contribuir para o prazer do casal. Além disso, a especialista lembrou que manter uma esfera privada também faz parte de uma vida íntima saudável e que nem todo conteúdo mental precisa ser compartilhado.