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Os partidos israelenses que se opõem a Benjamin Netanyahu tiveram mais votos do que a coalizão do primeiro-ministro: 67 contra 53. As legendas sionistas somaram 48 cadeiras, e as siglas árabes, 19.
Apesar da ampla margem, a oposição não forma uma coalizão. Caso se unissem, teriam um número mais do que suficiente para assumir o poder.
Por que não o fazem? É o que tentarei explicar nesta newsletter. Primeiro, acho importante colocar os resultados da eleição parlamentar em Israel realizada na terça-feira.
A oposição sionista, liderada por Gadi Eisenkot, teria quatro opções neste momento: Opção 1 – Não se aliar a ninguém.
Neste caso, com 48 cadeiras, a oposição sairia perdedora e Netanyahu seguiria no poder como primeiro-ministro interino até a realização de novas eleições. Opção 2 – Costurar um acordo com o partido árabe Raam, que aceita integrar a coalizão, e conseguir a abstenção do outro partido árabe, a Lista Conjunta.
Neste caso, conseguiria aprovar um novo governo. Mas Eisenkot e outro campo da oposição querem uma coalizão apenas de partidos sionistas, sem a inclusão de árabes.
Opção 3 – Buscar uma aliança com os partidos ultraortodoxos judaicos Shas e UTJ. O entrave, neste caso, seria a demanda desses dois partidos para os judeus ultraortodoxos não servirem no Exército, o que a oposição considera inaceitável.
Opção 4 – Fazer um governo de união nacional com Netanyahu. O problema óbvio nesse cenário é que o premier seguiria no comando do país.
Todo o objetivo da oposição sempre foi retirá-lo do cargo. O ideal seria mesmo uma união da oposição englobando os partidos árabes.
Os árabes israelenses são cidadãos de Israel. Seus partidos tiveram expressivas votações, e não há justificativa para a oposição não se aliar a eles para remover Netanyahu do poder.
O Globo