Pontaria, instabilidade, opções no meio: queda na Copa do Brasil expõe fragilidades de todos os setores no Flamengo
A queda precoce na Copa do Brasil não instala uma crise imediata no Flamengo. Porém, a derrota surpreendente para o Vitória após 180 minutos de confronto evidencia problemas que vinham sendo relevados em meio à sequência invicta de dez partidas. A partir de agora, o rubro-negro só tem a Libertadores e o Brasileirão na temporada, e Leonardo Jardim precisará fazer ajustes.
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A questão mais comentada nas últimas semanas é a deficiência no aproveitamento de finalizações, mas é preciso apontar a fragilidade defensiva. O setor demorou cinco jogos até ser vazado sob o comando o treinador português, mas, desde a derrota para o Bragantino, no início de abril, são nove gols sofridos em 11 partidas, sendo que a meta de Rossi só passou intacta em quatro delas.
Na última quinta-feira, o gol sofrido com apenas seis minutos de jogo no Barradão desmontou a estratégia coletiva inicial. Isso porque a escalação titular tinha Léo Pereira, Danilo e Alex Sandro, trio de jogadores que deve ser chamado por Carlo Ancelotti para disputar a Copa do Mundo — o herói do último título da Libertadores já foi garantido pelo italiano. Léo Ortiz também está na lista larga.
Sem solidez
Mesmo com um setor que manteve a configuração do ano passado, e ainda teve a chegada de novos nomes, o desempenho é pior em relação ao trabalho de Filipe Luís. Com Jardim, são 13 gols sofridos em 17 jogos, uma média de 0,76. O trabalho do treinador anterior foi de 68 gols sofridos em 100 jogos, uma média de 0,68.
Rossi vem sofrendo mais gols no Flamengo
Gilvan de Souza/Flamengo
A marca defensiva dos títulos da temporada passada deu lugar a um time que se destaca pelo poder de fogo, potencializado pela maior verticalidade no campo de ataque. Nos últimos jogos, porém, os jogadores vêm subestimando a própria capacidade, ao apresentarem um nível baixo de conversão em gols.
Volume desperdiçado
Contra Grêmio (Brasileirão) e Vitória, o Flamengo finalizou 46 vezes e marcou apenas um gol, diante do tricolor gaúcho. A estatística esconde que muitos destes chutes foram feitos de fora da área ou em condições ruins, mas deixa claro que o volume ofensivo rubro-negro é elevado.
A eliminação na Copa do Brasil fica mais amarga porque o time poderia ter encaminhado o confronto no Maracanã, mas só venceu por 2 a 1 na ida, e deixou brecha para que o adversário buscasse a virada e a classificação. Este é um dos motivos que vêm levando torcedores a definirem o time como de "trocação".
Flamengo perde para o Vitória e está eliminado da Copa do Brasil
Gilvan de Souza/Flamengo
Se o Flamengo não tem tido o controle em vários jogos recentes, isso se dá pelas várias baixas no meio-campo. Entre os protagonistas do setor, Arrascaeta fraturou a clavícula e só volta após a Copa do Mundo, e Lucas Paquetá está prorrogando a recuperação da lesão na coxa direita para estar 100% se for convocado para o Mundial. Além disso, Erick Pulgar também finaliza tratamento no ombro direito e está fora há mais de um mês.
Neste contexto, Jorginho e Evertton Araújo assumiram o setor, mas pensando no próximo jogo, diante do Athletico (Brasileirão), estão suspensos. Jardim vai precisar mostrar confiança em Carrascal, dono de temporada muito irregular, e na dupla De la Cruz e Saúl, que estava no banco no meio de semana, mas não foi acionada.
— Foi um jogo muito direto, de muito contato. Esse tipo de jogo não é para o De La Cruz. A opção era para preencher mais a área. Tivemos mais facilidade de chegar no último terço. O De La Cruz é mais difícil de disputar com esse tipo de estrutura na área — justificou Jardim.
Até a parada para a Copa do Mundo, o Flamengo tem cinco jogos a cumprir. Dois são contra Estudiantes e Cusco, pela Libertadores, onde a equipe lidera seu grupo. Os outros são contra Athletico-PR, Palmeiras e Coritiba, pelo Brasileirão. O rubro-negro é vice-líder do torneio, com 30 pontos, quatro atrás do alviverde, que tem um jogo a mais.
