Pont Neuf, ponte mais antiga de Paris, é transformada em caverna ao ser

Pont Neuf, ponte mais antiga de Paris, é transformada em caverna ao ser 'embalada' por artista

 

Fonte: Bandeira



A famosa Pont Neuf sobre o Sena foi transformada durante a noite em uma "caverna" efêmera pelo artista JR, surpreendendo a parisienses e turistas nesta quinta-feira (21). A obra reproduz, por meio de uma ilusão de ótica, o aspecto rochoso de uma gruta, combinando branco, preto e diferentes tonalidades de cinza. "A Caverna" é uma homenagem a Christo e Jeanne Claude, o falecido casal de artistas que envolveu a Pont Neuf com tecido em 1985.

Mostra de arte 'o (tempo)', de Waltercio Caldas, chega à Casa Roberto Marinho desafiando as convenções do tempo

Em 'Corsária', Marilene Felinto lida com a arte de acertar as contas com o passado

Para ter esse efeito, que pode ser visto de longe — inclusive saindo bem na foto de moradores e visitantes de Paris, na França — a instalação tem dimensões 120 metros de comprimento, 20 metros de largura, 2.400 m² de área e uma altura entre 12 e 18 metros. A estrutura inflável do artista urbano francês JR começou a ser montada na manhã anterior, tomando forma apenas durante a noite, para a surpresa do público.

— É realmente espetacular! — exclamou Caroline Masson, uma parisiense de 45 anos, ao contemplar esta intervenção urbana.

Em 1985, o casal recobriu a Pont Neuf durante duas semanas, uma obra faraônica na qual utilizaram 40.000 metros quadrados de tecido e que foi visitada por mais de três milhões de pessoas.

Visitantes e moradores de Paris foram supreendidos pela instalação 'A caverna da Pont Neuf', obra de arte do fotógrafo e artista de rua francês JR, sobre o Rio Sena

Ludovic Marin / AFP

A Pont Neuf é a ponte mais antiga da capital francesa. A instalação será aberta ao público a partir de 6 de junho.

— Muda completamente a paisagem e se destaca muito, porque aqui tudo é pedra antiga. Então me parece ótimo — acrescentou entusiasmada Claire Bétille, de 35 anos, estudante de arquitetura.

Voz das urnas eletrônicas, atriz cega protagoniza musical no Flamengo

Para JR, esta obra efêmera deve "justapor o bruto e selvagem com a elegância refinada de Paris, criando assim um diálogo entre passado e presente". Famoso por suas gigantescas colagens fotográficas, o artista de 43 anos afirma que há muito tempo se interessa pelo tema da caverna, que "nos conecta à história da humanidade, independentemente dos continentes".

— Também existe uma espécie de mistério, de medo, ao entrar em uma caverna e, ao mesmo tempo, uma fascinação — explicou.

O fotógrafo e artista de rua francês JR posa em seu estúdio apresentando 'A Caverna da Pont Neuf'

Como os Alpes em Paris

De 6 a 28 de junho, os curiosos e pedestres poderão percorrer gratuitamente e 24 horas por dia "A Caverna" a pé, em uma experiência "imersiva" cujo universo sonoro foi confiado ao músico eletrônico Thomas Bangalter, ex-membro da dupla Daft Punk. Nas próximas semanas, o interior da Caverna será renovado e suas vias de acesso organizadas.

— É bastante surpreendente. Instiga a nossa curiosidade e nos faz imaginar montanhas, os Alpes... Totalmente em contraste com a arquitetura de Paris — comentou Stéphanie Da Cruz, parisiense de 37 anos entrevistada pela AFP.

Como artes e ensino confluem pelo mundo? Mesa do LED mostra planos nacionais da Colômbia, Portugal e Brasil

Os organizadores esperam receber vários curiosos, especialmente turistas estrangeiros, já que a Pont Neuf é uma parada indispensável entre o Museu do Louvre e a Catedral de Notre Dame de Paris.

— Não sou um grande fã de arte contemporânea e gosto de Paris como ela é. Mas devo admitir que é fascinante — comentou Vince, um turista de 76 anos que veio de Nova York. — É um pouco como ter os Alpes em Paris — afirmou.

O fotógrafo e artista de rua francês JR trabalha durante a instalação de sua mais recente obra de arte em Paris, a 'A caverna da Pont Neuf'

Joel Saget / AFP

Para Peter Stuart, um canadense de 61 anos, "a maneira como Paris brinca com a cidade é extraordinária".

A capital francesa se acostumou a receber projetos de arte contemporânea, como o embrulho do Arco do Triunfo em 2021, obra póstuma de Christo e Jeanne Claude, ou a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de 2024.

— Ua das cidades mais abertas à arte monumental. É uma cidade viva, onde a história continua sendo escrita — celebrou JR, que já realizou em sua cidade natal uma gigantesca colagem ao redor da pirâmide do Louvre em 2019 e cobriu a Ópera com outra "caverna" em 2023.

Segundo a fundação que representa Christo e Jeanne Claude, responsável pelo projeto, A Caverna é "financiada por meio de patrocínio privado, sem recorrer a fundos públicos".