Políticos envolvidos no caso Master triunfam nas urnas, mas alvo de investigação sobre INSS fracassam

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Parte dos políticos que tiveram seu nome relacionado ao caso Master foi eleita neste domingo, apesar de o escândalo ter sido um dos principais assuntos da campanha deste ano. Ao mesmo tempo, alvos da investigação sobre as fraudes no INSS não tiveram êxito ao tentarem se reeleger. Saíram vitoriosos nas urnas, por exemplo, o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o deputado Mário Frias (PL-SP), que são formalmente investigados em inquéritos diferentes relacionados ao Master e já foram alvos de mandados de busca e apreensão. Também foram eleitos o presidente da Câmara, Hugo Motta (Rep-PB), e o presidente do União Brasil, Antônio Rueda (União-RJ), que aparecem em conversas como políticos próximos a Vorcaro. Questionada, a defesa de Vorcaro disse que não iria comentar os casos.

Na disputa presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) largou em primeiro e vai ao segundo turno com uma vantagem de mais de 2 milhões de votos. Flávio é investigado no inquérito do Master que apura o financiamento do filme "Dark Horse", uma cinebiografia sobre a trajetória do seu pai, Jair Bolsonaro.

A investigação contra o presidenciável apura os supostos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção e está sob relatoria do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça. Flávio pediu diretamente a Vorcaro R$ 131 milhões para custear o projeto audiovisual. Flávio nega qualquer irregularidade e diz que todos os recursos do filme foram privados.

Mário Frias, por sua vez, foi alvo de mandados de busca e apreensão em outro desdobramento do caso Dark Horse que apura o suposto desvio de emendas parlamentares ao filme. Ele é o produtor-executivo do filme e sempre negou qualquer irregularidade. Ele ganhou mais um mandato na Câmara no pleito de ontem.

Ex-líder do governo no Senado, Jaques Wagner foi alvo de mandados de busca e apreensão na nona fase da Operação Compliance Zero, realizada em junho. A PF apontou que ele recebeu supostas vantagens indevidas do ex-sócio do Banco Master Augusto Ferreira Lima.

Os investigadores citaram entre os benefícios a negociação de uma apartamento de luxo em Salvador, o repasse a uma nora de Wagner, voos em jatinhos e ingressos para shows. A PF investiga se o petista atuou em favor do Master no Congresso, o que ele sempre negou. Na ocasião, Wagner afirmou por meio de sua assessoria que é inocente e nunca atuou em benefício do banco "ou qualquer outra instituição financeira". Jaques Wagner se reelegeu ao Senado pelo Estado da Bahia.

Hugo Motta, por sua vez, foi chamado em mensagens de Daniel como o seu “número 1". A PF também apontou que Vorcaro custeou diárias para o presidente da Câmara em uma suíte de hotel de luxo em Lisboa. À época, Motta afirmou “não ver problemas” no pagamento das diárias, já que se tratava de um evento “corporativo e jurídico”. Neste domingo, ele se reelegeu à Câmara dos Deputados.

Já Antônio Rueda apareceu em diálogos extraídos do celular de Daniel Vorcaro, que apontam uma relação de proximidade entre os dois. Nas conversas, o banqueiro afirma que uma aeronave estava à disposição do político. Além disso, o Banco Master fez pagamentos de R$ 2,1 milhões ao dirigente partidário entre 2024 e 2025. Na ocasião, Rueda afirmou que os repasses se referiam a serviços advocatícios prestados ao banco. Rueda se elegeu ao seu primeiro mandato como deputado federal pelo Rio de Janeiro.

Derrotados Outra parte dos políticos que tiveram seus nomes relacionados ao Master não teve o mesmo desempenho. O senador e presidente nacional do PP, Ciro Nogueira (PI), foi um dos que não conseguiu se reeleger para mais um mandato na Casa Legislativa; e o vice-presidente do União e ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, ficou em segundo lugar na eleição ao governo da Bahia.

Ciro Nogueira chegou a ser alvo de mandados de busca e apreensão durante a quinta fase da Operação Compliance Zero, ocorrida em maio.

As investigações da PF citaram que Ciro atuou no Congresso Nacional em favor de Vorcaro na apresentação do que chamaram como "emenda Master". A PF também apontou que o dono do banco pagou "vantagens financeiras indevidas" ao parlamentar.

Ciro Nogueira sempre negou ter cometido qualquer irregularidade. A defesa do senador afirmou que "qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar".

Já ACM Neto teve o nome citado em mensagens extraídas do celular de Vorcaro. Nas mensagens reveladas pela coluna de Lauro Jardim, o banqueiro é chamado de "irmão". Vorcaro, por sua vez, elogia o político como "grande homem dessa nação".

Uma empresa de consultoria de ACM Neto ainda recebeu R$ 3,6 milhões do Master, segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Os recursos foram repassados ao ex-prefeito de Salvador entre março de 2023 e maio de 2024. Procurado na ocasião, ACM Neto confirmou disse que os valores eram referentes a serviços de consultoria. Caso INSS Políticos investigados no caso do INSS, por sua vez, fracassaram nas urnas. O senador Weverton Rocha (PSD-MA) não conseguiu o quarto mandato na Casa Legislativa, enquanto os deputados Euclydes Pettersen (Rep-MG) e Gorete Pereira (MDB-CE) não se reelegeram.

Weverton foi alvo de mandados de busca e apreensão no âmbito da Operação Zero Desconto, que investiga desvios em aposentadorias e pensões do INSS, em agosto.

Segundo as investigações, Rocha utilizou uma estrutura de empresas, sociedades patrimoniais e postos de combustíveis para ocultar a origem e movimentar recursos ligados ao suposto esquema. Ele sempre negou as irregularidades.

Pettersen, por sua vez, chegou a ser indiciado em um desdobramento do inquérito, em julho. Segundo a PF, o deputado atuou de forma continuada como o principal "fiador político" da organização criminosa. De acordo com o relatório, ele era responsável por chancelar a indicação de procuradores e diretores corrompidos para garantir a manutenção das fraudes.

Já Gorete Pereira passou a utilizar tornozeleira eletrônica e teve os endereços vasculhados por ordem do STF. Ele é citada na investigação como responsável pela "articulação política e operacional das associações fraudulentas".

Ambos os parlamentares se declararam inocentes e declararam não ter cometido nenhum ato ilícito.

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