Policial mobiliza rede de solidariedade para ajudar idosa que sofreu golpe: 'Ela desabou'
Um caso de estelionato contra uma idosa em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, terminou com uma mobilização de solidariedade a partir da atuação de um policial civil que decidiu ajudar a vítima. Sensibilizado com a situação, o inspetor da 35ª DP (Campo Grande) Thiago Anderson Pereira Santos, onde o caso foi registrado, divulgou a chave Pix da vítima nas redes sociais e conseguiu arrecadar, em poucos dias, o valor necessário para cobrir o prejuízo, que chegava a cerca de R$ 10 mil.
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A idosa, dona Sueli, é diabética, vai passar por uma cirurgia para retirada de um câncer nas costas e é responsável pelos cuidados do marido, que sofre de Alzheimer, tem um marca-passo e acaba de voltar para casa após passar uma temporada em um abrigo.
Segundo o inspetor, a suspeita, que foi presa em flagrante, trabalhava na cozinha do abrigo onde o marido da idosa estava e se aproximou da família alegando que ele sofria maus-tratos no local.
— A dona Sueli o tirou de lá. Aí a mulher chegou à casa dela do nada. Dona Sueli a abrigou, ia empregá-la — conta o policial.
O inspetor Thiago conta que desenvolveu uma relação de proximidade com dona Sueli, vítima de estelionato
Reprodução/Instagram
A partir daí, a golpista ganhou a confiança da vítima e passou a ter acesso a seus dados. Sueli, que é analfabeta, mantinha informações pessoais e bancárias anotadas em um caderno, o que facilitou a ação criminosa. De acordo com o policial, a mulher fez empréstimos e transferências para a própria conta bancária e gastou o dinheiro da vítima em jogos on-line.
Ainda de acordo com o inspetor, a suspeita chegou a usar reconhecimento facial para acessar contas bancárias do marido da vítima.
— Ela fez o reconhecimento facial do seu Carlitos quando ele estava dormindo — disse.
O golpe só foi percebido quando vizinhos ajudaram a verificar as contas bancárias da vítima e acionaram a polícia. Embora a mulher tenha sido presa, o dinheiro não foi recuperado. Segundo o inspetor, ela é reincidente e já havia sido levada à delegacia semanas antes por um crime semelhante, quando subtraiu cerca de R$ 11 mil da conta de outra idosa.
A decisão de agir
Diante da situação, o policial, comovido, decidiu agir.
— Eu atendo diversos casos, principalmente de estelionato e furto. O da senhora Sueli me sensibilizou porque ela desabou. Ela só chorava, porque não teria o que comer se não fosse a ajuda das pessoas. Ela não tinha nem noção do prejuízo. Eu que fui mostrando como estavam as contas, fazendo o somatório — relatou.
Ele afirma que, inicialmente, pensou em ajudar sozinho, mas o valor seria insuficiente.
— Na hora pensei: "Vou fazer um Pix de R$ 1 mil aqui pra ela, mas não vai cobrir nada". Pensei em amigos meus, conheço muita gente em Campo Grande. Meu Instagram tinha 300 seguidores, eu não trabalho com isso, nunca tinha postado vídeo sobre isso. Por isso procurei uma forma de ajudá-la — contou.
A resposta foi imediata. Já no dia seguinte à publicação, uma das contas da idosa deixou de ficar negativa. Em cerca de cinco dias, os valores arrecadados foram suficientes para cobrir os débitos.
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Como todo o dinheiro foi direcionado diretamente para a conta da vítima, o policial também passou a orientá-la sobre cuidados básicos para evitar novos golpes.
— Ela não tem noção nenhuma de transações bancárias, juros. Não sabe mexer no aplicativo, não sabe ler, só manda áudio. Como ela foi exposta nos vídeos, passei recomendações para ela ficar atenta. Tenho medo de as pessoas se aproveitarem dela — afirmou.
O inspetor diz que mantém contato com a idosa e que o caso criou um vínculo entre eles.
— Ela é uma senhorinha muito legal. Faz umas costuras lá e está para me entregar uma que fez para mim — disse.
Ele afirma que pensa em continuar usando as redes sociais para ajudar outras pessoas, mas com cautela:
— Confesso que fiquei motivado a fazer mais vídeos, mas estou buscando conhecimento jurídico sobre o que isso pode impactar na polícia. Existe uma legislação para essas publicações.
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