Polícia usa IA para recriar rosto de homem encontrado morto em reservatório no País de Gales em 2024

 

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A polícia do País de Gales recorreu à inteligência artificial e a técnicas de reconstrução facial para tentar identificar um homem encontrado morto em um reservatório remoto em outubro de 2024. O corpo, em avançado estado de decomposição, foi localizado flutuando dentro de uma roupa de mergulho no reservatório de Claerwen, no condado de Powys.

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Segundo investigadores, exames de DNA, impressões digitais e registros odontológicos foram inseridos no banco de dados nacional britânico e enviados também à Interpol, mas nenhuma correspondência foi encontrada. Diante da falta de pistas, a polícia decidiu apostar na tecnologia para reconstruir a aparência da vítima.

Reconstrução facial com tecnologia

A iniciativa partiu da inspetora Anthea Ponting, da Polícia de Dyfed-Powys, que lembrou de um projeto científico que recriou o rosto do rei Ricardo III a partir de seus restos mortais, descobertos em 2013 em Leicester.

“Pensei que, se eles conseguiram fazer isso com restos mortais de 500 anos, poderiam nos ajudar”, afirmou a investigadora.

A polícia então procurou o Face Lab, da Universidade Liverpool John Moores, centro especializado em reconstrução facial que combina arte, ciência forense e modelagem digital. Os pesquisadores receberam fotografias, relatório de autópsia, exame odontológico e tomografia computadorizada da vítima.

A partir desses dados, a equipe criou um modelo tridimensional do crânio e estimou a musculatura facial. O processo permitiu reconstruir características como o formato do rosto, lábios e nariz. Segundo os especialistas, o homem tinha queixo arredondado, maxilar quadrado e nariz levemente arrebitado, além de dentes protuberantes e mordida cruzada no lado esquerdo.

“Graças ao Face Lab, agora temos uma estimativa muito clara e detalhada da aparência desse homem”, disse Ponting. A imagem gerada já foi inserida no Sistema Nacional de Informação Policial e compartilhada com a Interpol.

Investigação sem pistas

O corpo foi encontrado por um homem que passeava com o cachorro na área do reservatório, que tem cerca de 650 acres e abastece Birmingham e outras regiões de West Midlands. A polícia considera a possibilidade de que a vítima tenha sido alvo de um crime e que o corpo tenha sido colocado dentro da roupa de mergulho antes de ser lançado na água.

Até agora, os investigadores não encontraram veículos abandonados, roupas ou outros objetos próximos ao local. Também não há registros recentes de desaparecimento que correspondam às características da vítima.

O exame post-mortem indicou que o homem tinha entre 30 e 60 anos e poderia ter permanecido na água por até 12 semanas. A roupa de mergulho — um modelo Zone3 Agile tamanho extra grande — sugere que ele tinha mais de 1,83 metro de altura e pesava entre 92 e 100 quilos.

“Este é o familiar de alguém”, disse Ponting. “Não desejaria nada mais do que devolvê-lo às pessoas que possam estar sentindo sua falta.”

A professora Caroline Wilkinson, diretora do Face Lab, afirma que a técnica pode ser decisiva para a investigação. “A reconstrução facial pode servir como ferramenta de reconhecimento e abrir novas linhas de investigação. Esperamos que alguém reconheça esse rosto e que isso ajude a polícia a finalmente identificá-lo.”