Polícia procura empresário suspeito de sumir com mais de 20 mil sacas de café de produtores de MG e SP
Um empresário suspeito de desaparecer com mais de 20 mil sacas de café de produtores de Minas Gerais e São Paulo é procurado pela Polícia Civil. O homem, que preside uma cooperativa de cafeicultores e agropecuaristas deixou pelo menos 30 pessoas sem os produtos. Apesar disso, a polícia acredita que o prejuízo pode ser ainda maior, chegando a 180 pessoas e ultrapassando R$ 130 milhões.
A Polícia Civil procura o empresário Elvis Vilhena Faleiros, presidente da Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Ibiraci, no Sul de Minas. Ele é suspeito de desaparecer com cerca de 21 mil sacas de café de produtores de Minas Gerais e de São Paulo, que estavam armazenadas na cooperativa.
De acordo com a Polícia Civil, pelo menos 30 produtores rurais já registraram denúncia, mas a estima é que o número de vítimas possa chegar a 180, com prejuízo de, no mínimo, R$ 132 milhões.
As investigações apontam que o empresário estaria usando as sacas de café para abater as dívidas da organização, como explicou à EPTV, afiliada da Globo, o delegado do caso, Estevam Ferreira.
"A situação da saúde financeira da cooperativa veio se agravando a partir de 2021, quando houve o incremento no preço do café. Isso aí causou um abalo nas finanças da empresa, que foi se arrastando até esse ponto de o Elvis, que era o presidente, optar por se apropriar do café dos produtores para quitar essas dívidas. Essa é a alegação deles".
Em depoimento, dois diretores da Cooperativa confirmaram a crise financeira da entidade. O empresário Elvis Vilhena teve a prisão decretada pela Justiça, mas está foragido. Além disso, os bens dele e de outros dois diretores da Cooperativa foram penhorados.
À CBN, o advogado do empresário, Marcio Cunha, atribiu a situação à a crise da Cooperativa. Ele alega que as sacas de café foram usadas para honrar as vendas dos produtores.
"Nós tivemos várias situações, a partir de 2018, com grandes dificuldades das travas de café ou venda futura, que chamava. Muitos produtores fizeram travas e, em razão de problemas de produção, não fizeram entregas. Então, a cooperativa que ela fez, ela acabou cumprindo com essas travas e aguardando que esses produtores fizessem as entregas. A questão do mandado de prisão, estamos buscando uma solução junto ao Ministério Público, às autoridades judiciárias, é claro".
A investigação começou em agosto do ano passado, quando os primeiros produtores denunciaram a cooperativa após perceberem a ausência de sacas de café quando foram tentar fazer retiradas.
De acordo com a Polícia Civil, os prejuízos também chegam a outras regiões de Minas Gerais e até em São Paulo. Produtores do triângulo mineiro, onde fica a sede da cooperativa, também denunciam os prejuízos, além de cafeicultores de Franca e Cristais Paulista, em São Paulo.
