A Polícia e os promotores da Operação Cavalo de Troia prenderam nesta sexta-feira, 23, o personal trainer Jonathan Moga Pinto, apontado como laranja e braço financeiro do esquema de propinas que teria sido instalado na prefeitura de Bauru, interior de São Paulo, para fraude ambiental de R$ 5,2 bilhões.
Segundo a Promotoria, Moga aparece como controlador da empresa Core Intermediações que captou pelo menos R$ 4 milhões que foram supostamente repassados a agentes públicos municipais envolvidos na montagem de edital de licitação que deveria favorecer a Estre Ambiental. Esta é a terceira fase da operação que já prendeu ao todo oito investigados, inclusive o ex-secretário de Governo Renato Purini, marido da prefeita Suellen Rosim (PSD).
O Estadão busca contato com a defesa de Moga. O espaço está aberto.
A prefeitura de Bauru informa que está colaborando com o Ministério Público e que já demitiu todos os investigados, entre os quais o marido de Suellen. A Estre Ambiental diz que acompanha os desdobramentos da Cavalo de Troia e reafirma seu compromisso com a ética e a transparência.
A licitação foi barrada pelo Tribunal de Contas do Estado e pelo Ministério Público. Os promotores que investigam a fraude integram os quadros do Gaeco - braço do Ministério Público que enfrenta o crime organizado e a corrupção.
Em documento de 119 páginas ao qual o Estadão teve acesso, os promotores destacam que Jonathan Moga Pinto tem rendimento mensal de R$ 3 mil a R$ 4 mil e dívidas acumuladas de R$ 2 milhões. A investigação mostra que Moga foi cooptado como laranja do esquema para intermediar recursos que teriam sido repassados pela Estre Ambiental e destinados ao núcleo de servidores públicos de Bauru.
Em agosto passado ele abriu uma academia na cidade de Rio Claro. Além do ex-secretário de Governo são investigados a ex-secretária de Meio Ambiente de Bauru, Cilene Chabuh Bordezan, e o executivo Hamilton Libório Agle, da Estre, sob suspeita de tramarem o direcionamento do negócio para contratação da empresa.
Também estão sob suspeita o ex-secretário municipal de Negócios Jurídicos Vitor João de Freitas Costa e o ex- coordenador de Políticas Públicas para o Meio Ambiente Roldão Neto. Na ofensiva desta sexta, 23, além da prisão de Moga, a Justiça decretou o bloqueio de até R$ 20 milhões do personal trainer, de seu sócio na Core Intermediações e da Estre.
A Promotoria informou que a terceira etapa da Cavalo de Troia mira o braço financeiro do esquema e alvos supostamente responsáveis pela intermediação das propinas. As informações reunidas até aqui indicam que empresas e contratos aparentemente desprovidos de efetiva causa econômica teriam sido utilizados para conferir aparência de regularidade à transferência de recursos destinados, de forma indireta, a agentes públicos e pessoas por eles indicadas.
Segundo a investigação, os pagamentos já identificados superam R$ 4 milhões. As transferências teriam sido formalizadas por meio de contratos, notas fiscais e descrições de serviços cuja efetiva prestação ainda é objeto de apuração.
Uma primeira parcela teria sido dividida em um repasse de R$ 750 mil e outro de R$ 225 mil. Essa frente foi aprofundada após a apreensão, na fase anterior da operação, de uma nota fiscal emitida pela empresa que estaria intermediando as propinas, a Core Intermediações.
As diligências realizadas posteriormente identificaram outros pagamentos expressivos em favor da mesma empresa, diz a Promotoria.
O Liberal