Polícia prende aliado de traficante Peixão em hospital no Centro do Rio
A Polícia Civil prendeu nesta segunda-feira um homem identificado como Marcos Vinicius Lima Barbosa, conhecido como Let, apontado como “homem de guerra” do traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão. A ação foi realizada por agentes da Subsecretaria de Inteligência, após cerca de um mês de monitoramento.
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Segundo as investigações, o suspeito integra a facção Terceiro Comando Puro (TCP) e atuava no tráfico de drogas no Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio. De acordo com a polícia, ele exercia uma função estratégica na organização criminosa, atuando como braço operacional de Peixão.
Após diligências, os agentes localizaram o alvo em um hospital na região central da cidade. Contra ele, foi cumprido um mandado de prisão preventiva pelo crime de tráfico de drogas.
A Polícia Civil não informou as circunstâncias da internação nem há quanto tempo o suspeito estava na unidade de saúde.
Sobre Peixão
Com 79 anotações criminais, Peixão é chefe do Terceiro Comando Puro nas cinco comunidades da Zona Norte que compõem o Complexo de Israel: Parada de Lucas, Vigário Geral, Cidade Alta, Pica-Pau e Cinco Bocas. O TCP é a segunda facção fluminense que mais cresce em expansão territorial, ficando atrás somente do Comando Vermelho.
Além de ordenar homicídios e cobrar taxas de comerciantes, Peixão, que se apresenta como evangélico, é acusado de intolerância religiosa. Denúncias afirmam que ele chegou a proibir o uso de branco pelos moradores e destruiu terreiros nas favelas que domina.
Em julho de 2024, circulou pelas redes sociais que o bandido havia determinado a proibição de festejos juninos em três igrejas católicas localizadas no entorno do Complexo de Israel.
Na ocasião, a arquidiocese negou as ameaças do tráfico e disse que os festejos ocorreram normalmente. Mesmo assim, foi possível notar uma pichação com a sigla do Terceiro Comando Puro (TCP) em um dos muros laterais da Igreja de Santa Edwiges, em Brás de Pina. O local onde o muro foi pichado fica próximo a um acesso à Favela Cinco Bocas, uma das áreas controladas pelo bandido.
Para marcar seu território, o criminoso costuma usar a bandeira de Israel e frases da Bíblia pintadas nos muros. Na Cidade Alta, o topo de uma caixa d'água ostentava uma Estrela de Davi em néon, símbolo do domínio do criminoso. A estrela foi derrubada neste mês durante uma operação da Polícia Civil e Militar no complexo.
O perfil violento do bandido é conhecido pelos investigadores. Segundo a polícia, ele costuma punir seus inimigos com a morte e é um obstinado quando se trata de infiltrados. Ele foi o primeiro a introduzir o uso de drones para vigilância em suas áreas, a fim de acompanhar a movimentação da polícia e dos concorrentes.
Tentativas de captura
A dificuldade de encontrar o criminoso tem vários motivos. Além do forte poder bélico, com uso de drone para vigiar a polícia e lançar granadas em inimigos, a quadrilha do Peixão espalha barricadas por todas as favelas. Em fevereiro de 2025, as polícias Civil e Militar montaram uma operação de emergência para prendê-lo após receberem a informação de que ele estava escondido em uma casa na Cidade Alta, em Cordovil, na Zona Norte do Rio. A Avenida Brasil precisou ser fechada e quatro pessoas foram baleadas.
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No mês anterior, o ex-porta-voz da PM foi exonerado do comando do 2º BPM (Botafogo) após se envolver em uma confusão em busca do traficante em um prédio na Zona Sul do Rio. O tenente-coronel teria recebido a informação de que o Peixão estaria no local para visitar o pai, um idoso de 70 anos. Não houve confirmação se o homem realmente morava no condomínio.
Já em outubro de 2024, a PM precisou recuar de uma operação no Complexo de Israel após um tiroteio na Avenida Brasil deixar três mortos e três feridos. Na época, autoridades das forças de segurança informaram que os agentes chegaram próximo de um alvo importante para a comunidade. Por isso, segundo a PM, a reação dos criminosos foi de atirar em direção aos civis para desarticular a ação da polícia. Depois dessa ação, Peixão passou a ser investigado por terrorismo.
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