Polícia Militar do Paraná afasta policial que agrediu Perdigão, ex-jogador do Inter, em Curitiba
A Polícia Militar do Paraná tomou providências iniciais em relação ao episódio de agressão sofrida pelo ex-jogador Perdigão, que acumulou passagens por clubes como Internacional, Vasco e Corinthians. Em nota enviada ao G1, a PMPR informou que determinou o afastamento imediato do policial militar para funções administrativas e encaminhou o servidor para avaliação psicológica.
Além disso, a Polícia Militar ressaltou que a atitude do policial não condiz com o trabalho das forças de segurança do Paraná. Agora, a PMPR instaurou um procedimento interno para apurar os fatos.
— A Corregedoria da PMPR adotou as providências iniciais, determinou o afastamento imediato do policial militar para funções administrativas e encaminhou o servidor para avaliação psicológica. A corporação ressalta que a conduta relatada não condiz com o preparo e com o trabalho das forças de segurança do Paraná — diz a nota da PMPR.
O ex-jogador do Internacional Perdigão relatou ter sido "covardemente agredido" por um policial militar em serviço, na saída da partida entre São Joseense e Operário, no estádio Vila Capanema, em Curitiba, em Paraná, no último domingo. O ex-atleta compartilhou uma nota de repúdio sobre o episódio, com vídeos da cena de violência e das marcas causadas em seu corpo, em uma publicação em sua conta no Instagram nesta segunda-feira (19).
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A agressão teria ocorrido, segundo Perdigão, após ter tentado cumprimentar um policial por seu trabalho. De acordo com o relato, "de forma repentina e sem qualquer justificativa" o agente teria reagido com truculência, o atacando repetidas vezes com um cassetete.
No vídeo, é possível ver Perdigão tentando se afastar do policial, sem esboçar reação, enquanto o agente de segurança o cerca e continua acertando o ex-atleta com mais golpes, o mandando deixar o local com ofensas.
Em outro vídeo compartilhado por Perdigão, é possível ver um homem de roupa branca deitado e protegendo a mão enquanto o ex-jogador continua em pé e discutindo com um dos policiais presentes. Outro oficial dá uma volta por trás do companheiro e acerta Perdigão novamente, falando: "quer tomar mais?".
Campeão mundial em 2006
Cleilton Eduardo Vicente, conhecido como Perdigão, de 48 anos, estreou como profissional pelo Paraná Clube, sendo bicampeão paranaense em 1995 e 1996. Depois, teve duas passagens pelo Athletico Paranaense, a primeira entre 1997 e 1998, e outra em 2000.
Chegou a jogar na Europa, pelo Belenenses-POR. No retorno ao Brasil passou por diversos clubes, desde Vasco e Corinthians ao Londrina, Joinville, Marília, Náutico, Caxias e 15 de Novembro. Mas o maior destaque da carreira foi o Internacional, onde participou da histórica campanha que conquistou o título da Copa Libertadores e do Mundial de Clubes em 2006, além da Recopa Sul-Americana em 2007. Ele encerrou a carreira na Associação Desportiva Guarulhos, em 2011.
Confira nota de repúdio de Perdigão na íntegra
"Fala galera, velho Perdiga na área! Normalmente venho com noticias boas, mas hoje a situação é diferente.
Quero relatar uma situação extremamente constrangedora e dolorosa que vivi neste final de semana.
Neste domingo, dia 18/01, na saída do jogo entre São Joseense x Operário na Vila Capanema, fui covardemente agredido por um membro despreparado da Polícia Militar. É lamentável que uma atitude isolada como essa acabe manchando a imagem de uma instituição que deveria existir para proteger o cidadão.
Todos que me conhecem sabem que sou uma pessoa tranquila, bem-quista e que gosta de interagir com as pessoas. Naquele momento, me aproximei de um policial apenas para cumprimentá-lo, parabenizar pelo serviço e desejar boa noite. Não sei se houve algum mal-entendido, mas, de forma repentina e sem qualquer justificativa, ele veio em minha direção me agredindo com um cassetete.
Em todo momento tentei apaziguar a situação, me afastando e demonstrando que não havia qualquer intenção de confronto. Não fui violento, não fui rude e não reagi à agressão. Ainda assim, a violência aconteceu de forma totalmente gratuita e injustificável.
Reforço que, como cidadão, temos direitos que precisam ser respeitados. Violência, especialmente vinda de quem tem o dever de zelar pela nossa segurança, é inadmissível.
Informo que todas as medidas cabíveis já estão sendo tomadas, e espero sinceramente que o responsável seja devidamente responsabilizado.
Agradeço de coração todas as mensagens de apoio e solidariedade que venho recebendo. Apesar de tudo, me encontro bem!
Que Deus abençoe a todos 🙏🏼"
