Polícia fecha fábrica clandestina de linha chilena em Jacarepaguá que faturava até R$ 15 mil por dia

 

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A Polícia Civil fechou nesta quinta-feira (7) uma fábrica clandestina de linha chilena que funcionava em uma casa alugada na região da Colônia, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio. A operação, realizada por agentes da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) e da 10ª Delegacia de Acervo Cartorário (Deac), resultou na prisão em flagrante de dois homens e na apreensão de grande quantidade de material usado na produção da linha cortante.

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Segundo as investigações, o imóvel era utilizado exclusivamente para a fabricação da chamada linha chilena, produto proibido no estado do Rio. Quando os policiais chegaram ao local, as máquinas estavam em funcionamento, e os agentes encontraram carretéis, caixas de linha, substâncias químicas e equipamentos usados no processo de produção.

De acordo com a polícia, a fábrica vinha sendo monitorada havia cerca de um mês, após denúncias anônimas. Os investigadores apontam que o espaço era um dos maiores pontos de fabricação de linha chilena em Jacarepaguá e abastecia outros estados do país.

A estimativa é que a produção chegasse a cerca de 50 carretéis por dia. Cada unidade era vendida por aproximadamente R$ 300, o que gerava um faturamento diário de até R$ 15 mil.

Os agentes também identificaram três veículos utilizados no esquema criminoso. Todo o material apreendido foi levado para a Cidade da Polícia.

Material proibido

A linha chilena é um tipo de linha de pipa fabricada com materiais altamente resistentes e coberta por substâncias abrasivas, como pó de quartzo e outros compostos cortantes. Diferentemente do cerol — mistura de cola com vidro moído aplicada sobre a linha comum —, ela é industrializada e pode ser até quatro vezes mais cortante. O material representa risco principalmente para motociclistas e ciclistas, podendo causar ferimentos graves, mutilações e até mortes. Também oferece perigo para animais e para a rede elétrica.

Segundo a polícia, os trabalhadores manipulavam os produtos sem qualquer equipamento de proteção. Durante a ação, um dos homens encontrados no imóvel chegou a afirmar aos agentes que “acidente de carro e moto mata mais do que linha chilena”.

O caso ocorre em meio ao aumento das denúncias relacionadas ao uso do material no estado. Dados do Disque Denúncia apontam que foram registradas 561 ocorrências em 2024. Em 2025, o número mais que dobrou, chegando a 1.203 denúncias. Apenas entre janeiro e o último dia 5 de maio deste ano, já foram contabilizados 251 registros.

Em abril, o administrador de empresas Leandro Rezende Cardoso, de 45 anos, morreu após ser atingido no pescoço por uma linha chilena enquanto trafegava de moto em Cascadura, na Zona Norte do Rio. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que ele caiu da motocicleta após ser atingido. Leandro chegou a ser levado para o Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, mas não resistiu aos ferimentos.

A Polícia Civil reforçou que fabricar, vender ou utilizar linha chilena é crime no estado do Rio de Janeiro. Denúncias podem ser feitas de forma anônima ao Disque Denúncia, pelo telefone 2253-1177, além do site e aplicativo da central.

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