Polícia de SP investiga se pai filmava e vendia imagens do filho morto após ser acorrentado e torturado

 

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Os investigadores da Polícia Civil suspeitam que Chris Douglas, o pai de Kratos Douglas, menino de 11 anos encontrado morto dentro da casa onde morava com a família no Itaim Paulista, na Zona Leste de São Paulo, filmava e vendia imagens da criança sendo torturada. Kratos foi encontrado sem vida, acorrentado e com sinais de tortura em casa no início da semana.

A residência, segundo os investigadores, era vigiada por câmeras particulares e tinha papelão espalhados pelas paredes, o que teria levantado suspeitas de que o material pudesse estar sendo utilizado para abafar o som do interior da casa.

A polícia apreendeu o material eletrônico encontrado, o que inclui aparelhos celulares, e aguarda uma decisão da Justiça para periciar os equipamentos. Os investigadores ainda não receberam, também, o laudo do IML que deverá comprovar qual foi a causa da morte da criança.

Kratos vivia com o pai, com a avó e a madrasta. Todos foram presos nesta semana e já prestaram depoimento.

Para a polícia, Chris Douglas confessou que acorrentava o filho, e explicou que a criança fugia muito de casa. Por isso, na versão dele, era necessário deixá-la presa, mas ele nega ter provocado a morte do filho.

A reportagem da CBN ouviu o delegado Thiago Bassi, que disse que, neste ponto, a versão do pai, da avó e da madrasta são semelhantes. Bassi explicou, contudo, que os vizinhos da vítima dizem não ver a criança há mais de um ano, o que faz a polícia entender, até o momento, que não havia fuga.

“Elas afirmam que tinham conhecimento do acorrentamento, mas alegam que ele fugia e tinha esse costume de sair da casa. Até o fato dele não ir à escola foi questionado e elas informaram que ele não ia à escola porque, ao chegar à escola, ele fugia e ficava vários dias fora de casa. Esse seria, inclusive, o motivo da desnutrição.”

A criança não tinha registros de matrícula em qualquer escola desde 2024.

Há ainda duas outras crianças encontradas na casa, de 2 e 12 anos. A mais velha tem o diagnóstico de autismo. Ambas foram acolhidas pelo Conselho Tutelar para permanecerem em segurança até que o caso se resolva.

A mãe biológica de Kratos Douglas e da menina de 12 anos mora em Bauru, interior do estado, e afirma que a filha também estaria sendo agredida, mas a polícia ainda não tem essa conclusão.