Polícia de SP investiga influencer que usou IA para manipular e sexualizar imagens de jovens em igrejas
A Polícia Civil de São Paulo investiga um influenciador digital pela manipulação, com o uso de inteligência artificial, de imagens de jovens evangélicas. O conteúdo compartilhado por Jefferson de Souza na internet inclui vídeos das mulheres, sem a autorização delas, em cenas sexualizadas dentro de igrejas da Congregação Cristã do Brasil (CCB). Souza negou as acusações (leia mais abaixo).
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O caso foi revelado pelo g1, que ouviu uma das vítimas. O inquérito foi instaurado após uma estudante de 16 anos procurar a polícia com os pais em São Mateus, no Leste de São Paulo. O trio acusou o influenciador de 37 anos de manipular e erotizar a imagem da adolescente, em 2025. Na imagem "real", a jovem posava com um vestido de comprimento abaixo dos joelhos, de salto alto. Com a IA, Souza criou um vídeo em que a estudante aparece de braços erguidos e boca aberta ao lado de outras duas mulheres, que portam minissaias.
— Ele pegou a minha foto sem autorização e fez uma montagem com inteligência artificial, com as mulheres sensualizando na frente e [comigo] junto a elas — disse a jovem ao g1.
Não se sabe se as outras duas mulheres são reais ou tiveram as imagens geradas por IA. O caso foi registrado inicialmente como simulação de cena de sexo ou pornografia com menor de 18 anos por meio digital. Investigadores depois atuaram para identificar outras vítimas e incluíram no procedimento suspeitas de difamação.
Em nota, a Secretaria de Segurança de São Paulo (SSP-SP) disse que o caso foi registrado pela 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) da capital e, posteriormente, remetido à Delegacia de Polícia de Lençóis Paulistas, responsável pela área dos fatos. Diligências são realizadas para o devido esclarecimento dos fatos. Demais informações serão preservadas, em razão da natureza da ocorrência e por envolver vítima menor de idade, segundo a pasta.
Em outros vídeos, o influenciador também usou imagens de jovens evangélicas e acrescentou mulheres de minissaia e apresentadores do SBT. Ele ainda criticou as roupas usadas pelas mulheres. Os conteúdos foram publicados no YouTube, plataforma na qual Souza mantém o canal "Humor do Crente", com mais de 11 mil inscritos, e em perfis do Instagram, do Facebook e do TikTok, para cerca de 37 mil seguidores.
Influencer nega acusações
O GLOBO tenta contato com Jefferson de Souza. Em depoimento à polícia, o influenciador admitiu usar fotos de jovens evangélicas da CCB e ferramentas do TikTok para animar as imagens e gerar vídeos. Segundo o g1, ele negou que sabia da idade da jovem de 16 anos que procurou os investigadores e que tenha vinculado a imagem dela "a qualquer conteúdo sexualizado ou pornográfico". O homem alegou que produz "conteúdo humorístico", sem intenção ofensiva, com críticas relacionadas à igreja e a "determinadas fotografias" que "não seriam adequadas" dentro dos templos.
No TikTok, o influencer citou mulheres que usam roupas "que marcam o corpo" na igreja e explicou como manipula as imagens delas.
— Pego a foto, as irmãs postando foto de costa, aí eu jogo na IA, a IA faz dançar — comentou. — E eles falam que eu estou manchando a obra de Deus, que eu estou colocando mulheres seminuas. Mas não é, pessoal. Tem algumas que eu coloquei lá, mas é uma forma de chamar atenção para poder ganhar seguidores.
Em outro vídeo publicado nas redes sociais, Souza não citou o conteúdo manipulado por IA, mas pediu desculpas aos "irmãos" da CCB pelos vídeos com as críticas e prometeu ser "mais cauteloso".
— Eu quero pedir desculpa, pedir perdão publicamente pelos vídeos que eu andei postando (...) Eu confesso que errei na minha forma de falar — destacou. — Eu peço perdão a todos que se sentiram ofendidos.
O GLOBO procurou a CCB e aguarda resposta. Ao g1, a congregação Cristã do Brasil afirmou não possuir registro formal de membros e disse apoiar a adoção de medidas legais cabíveis por parte das autoridades a respeito das pessoas envolvidas.
