Polícia afasta agente flagrado com R$ 500 mil; PF diz que ele prejudicou investigação sobre Refit
A Polícia Civil do Rio afastou o agente Maxwell Moraes Fernandes após ele ser alvo da Operação Sem Refino, deflagrada pela Polícia Federal nesta sexta-feira (15). Na casa do policial, investigadores encontraram cerca de R$ 500 mil em espécie guardados em caixas de sapato. A CBN teve acesso às imagens da apreensão feitas pelos agentes federais.
Segundo a decisão do ministro Alexandre de Moraes, o policial civil Maxwell Moraes Fernandes é suspeito de atuar para esvaziar e comprometer uma apuração interna sobre denúncias envolvendo a Refit e integrantes da Secretaria Estadual de Fazenda. A PF afirma que ele foi escolhido como sindicante de uma investigação aberta na Delegacia Fazendária a partir de denúncia anônima sobre suposta influência de Ricardo Andrade Magro sobre agentes públicos do estado.
A Polícia Federal sustenta ainda que Maxwell deixou de realizar diligências básicas para aprofundar a apuração e, em vez disso, teria alertado fiscais investigados sobre as denúncias.
Polícia afasta agente flagrado com R$ 500 mil; PF diz que ele prejudicou investigação sobre Refit
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Lotado na Delegacia Fazendária (Delfaz), Maxwell está na corporação desde 2002. A especializada atua justamente em investigações de crimes tributários, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e fraudes financeiras. Segundo a investigação, o policial integraria o núcleo de apoio institucional ao esquema ligado ao Grupo Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, suspeito de operar um esquema bilionário de fraude fiscal, ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro.
Maxwell recebe salário bruto de R$ 19.259,52, com rendimento líquido em torno de R$ 13 mil por mês. Pelas contas, se não gastasse um único real do salário, precisaria de aproximadamente 50 meses, o equivalente a mais de quatro anos, para acumular meio milhão de reais.
A apreensão chamou atenção dos investigadores pelo volume do dinheiro vivo e pela forma de armazenamento, escondido em caixas de sapato dentro da residência.
Polícia afasta agente flagrado com R$ 500 mil; PF diz que ele prejudicou investigação sobre Refit
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Além do policial civil, dois escrivães da Polícia Federal também foram afastados de suas funções por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, por suspeita de participação no esquema investigado. São eles Márcio Cordeiro Gonçalves e Márcio Pereira Pinto.
Em nota, a Polícia Civil do Rio disse que a Corregedoria colabora com as investigações. A corporação também afirma que cumprirá a decisão de Moraes de afastar o servidor.
A Operação Sem Refino investiga um conglomerado do setor de combustíveis suspeito de envolvimento em fraudes fiscais, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio ligados ao Grupo Refit. Entre os alvos da ação está o empresário Ricardo Andrade Magro, considerado um dos maiores devedores de impostos do país e atualmente procurado internacionalmente após ter o nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol.
A investigação também atinge o ex-governador do Rio Claudio Bomfim de Castro e Silva, o desembargador Guaraci De Campos Vianna, o ex-secretário estadual de Fazenda Juliano Pasqual e o ex-procurador-geral do estado Renan Miguel Saad.
Segundo a PF, a Refit é suspeita de operar como uma “refinaria fantasma”, simulando atividades de refino enquanto importava derivados praticamente prontos para reduzir a carga tributária. A Justiça determinou o bloqueio de cerca de R$ 52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas.
A operação foi autorizada por Alexandre de Moraes e é um desdobramento das investigações da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, que apura conexões entre organizações criminosas e agentes públicos no estado.
