Polêmica no carnaval: após rebaixamento, presidente de honra da Inocentes denuncia venda de vagas e associação criminosa

 

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Um dia após o rebaixamento da Inocentes de Belford Roxo — penúltima colocada da Série Ouro (segunda divisão do carnaval do Rio) —, o presidente de honra da agremiação, Reginaldo Gomes, fez um registro de ocorrência na Polícia Civil nesta sexta-feira, acusando o carnaval de associação criminosa. A LigaRJ, responsável pela Série Ouro, tomou conhecimento das declarações e afirma que "todas as deliberações" envolvendo a divisão do carnaval "foram tomadas em Assembleia Geral, com a participação dos representantes das agremiações, devidamente registradas em cartório, seguindo rigorosamente o estatuto da liga".

Agora, a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE), onde a queixa foi feita, solicita que o dirigente retorne outro dia com a documentação que ele afirma ter e sugestões de testemunhas para que as investigações avancem. Conforme apurado pelo GLOBO, o presidente de honra da Inocentes acusa a venda de vagas na Série Ouro.

Com um desfile sobre a influência russa sobre o frevo pernambucano, a escola de Belford Roxo desfilou na primeira noite da Série Ouro. Nesta quinta-feira, durante a apuração, acabou figurando na 14ª colocação (a penúltima), que a rebaixou para a Série Prata, terceira divisão do carnaval carioca, que desfila na Estrada Intendente Magalhães, na Zona Norte.

Em vídeo gravado na porta da delegacia, na Cidade da Polícia, Reginaldo afirmou que sua intenção é buscar a "transparência" e a "lisura" do carnaval. Com o registro de ocorrência em mãos, o presidente de honra da Inocentes diz que irá procurar a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), a Câmara Municipal e o Ministério Público, para que o "grupo" citado por ele seja investigado.

— Essa quadrilha que comanda o carnaval, hoje, está com os dias contados — disse Reginaldo.

Logo após a apuração, o filho de Reginaldo, Rodrigo Gomes, também presidente de honra da Inocentes, usou as redes sociais para reclamar. Com a lista final da apuração, ele marcou o nome de sete agremiações, classificadas pelo dirigente como "intocáveis do samba", dando a entender que o grupo seria favorecido por dirigentes no carnaval.

"Só para refrescar a memória. Ano passado, três dessas (escolas) pegaram fogo. O que aconteceu? Estão aí!", afirmou Rodrigo, lembrando de Império Serrano, Unidos de Bangu e Unidos da Ponte que, após um incêndio em fábrica de fantasias, não foram julgadas no desfile. Neste ano, a Unidos do Jacarezinho passou por dois incêndios — na quadra e no barracão — e, mesmo assim, "desceu", conforme lembrou o presidente de honra.

Em nota, a LigaRJ pontua que Reginaldo Gomes "fez parte da Liga RJ e participou ativamente de todas as decisões enquanto integrou a entidade", além de já ter presidido a antiga Liga das Escolas de Samba do Grupo de Acesso (Lesga), "tendo exercido um mandato que, naquele momento, foi alvo de diversos questionamentos no meio do carnaval". O posicionamento é concluído afirmando que "a LigaRJ mantém uma postura institucional de respeito, prezando sempre pelo diálogo".