Pokémon Go: dados gerados por jogadores são usados em drones militares

Pokémon Go: dados gerados por jogadores são usados em drones militares

Fonte: Bandeira



Pokémon Go voltou a chamar atenção após uma reportagem revelar que dados coletados pelo jogo teriam sido utilizados no treinamento de drones militares. Segundo o jornalista Gerben Beutick, do jornal holandês Trouw, a Niantic Spatial firmou um acordo com a Vantor, empresa contratada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, para usar escaneamentos gerados por jogadores na criação de sistemas de navegação visual para drones e robôs militares.

Lançado originalmente pela Niantic Labs, Pokémon Go se tornou um fenômeno global ao incentivar a exploração de ambientes reais por meio da realidade aumentada. Atualmente, o jogo gratuito para Android e iPhone (iOS) é operado pela Scopely. Entenda, a seguir, os detalhes da parceria e a repercussão da descoberta.

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Pokémon Go utilizou dados escaneados por usuários para treinar drones militares em parceria com empresa do Departamento de Defesa dos EUA

Divulgação/Niantic

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Em Pokémon Go, os jogadores exploram o mundo real para capturar criaturas e interagir com os chamados PokéStops, pontos de interesse espalhados por cidades e associados a locais reconhecíveis, como estátuas, murais, monumentos e edifícios históricos. Em 2021, a Niantic passou a incentivar usuários a realizar escaneamentos em 3D desses locais em troca de recompensas dentro do jogo. Para participar, era necessário concordar com termos que autorizavam o uso das imagens coletadas pela empresa.

Segundo a reportagem do jornal holandês Trouw, a Niantic Spatial utilizou cerca de 30 bilhões desses escaneamentos para construir um mapa tridimensional do mundo real. A tecnologia permite que máquinas identifiquem a própria localização por meio de câmeras e referências visuais do ambiente, sem depender exclusivamente de GPS.

Em dezembro de 2025, a empresa firmou uma parceria com a Vantor para combinar seus mapas a sistemas de navegação visual destinados a drones e outros robôs militares. A solução, conhecida como VPS (Sistema de Posicionamento Visual), poderia funcionar em locais onde o sinal de GPS é limitado ou sofre interferências, como áreas urbanas densas e zonas de conflito.

Dados coletadas por usuários em Pokémon Go foram usados para treinar drones militares que podem ser usados até em guerras

Reprodução/Rafael Monteiro

Inicialmente, a Vantor negou ter utilizado dados coletados por Pokémon Go em seus projetos. No entanto, segundo a reportagem do Trouw, a empresa se recusou a esclarecer se versões anteriores dos modelos empregados em seus drones militares chegaram a ser treinadas com essas informações. Já a Niantic Spatial admitiu que uma "versão inicial" de seu sistema de navegação visual utilizou escaneamentos obtidos por meio do jogo.

A revelação surpreendeu parte da comunidade de Pokémon Go, que não esperava ver dados coletados durante a experiência de jogo associados a projetos de navegação militar. Em entrevista ao Trouw, o jogador holandês Floris De Hingh, de 34 anos, afirmou ter ficado chocado com a descoberta, dizendo que acreditava estar "apenas jogando um jogo" quando realizou os escaneamentos. Atualmente, Pokémon Go não é mais administrado pela Niantic Labs e está sob responsabilidade da Scopely.

Com informações de Trouw, DroneXL

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