Pokémon completa 30 anos como império de US$ 147 bilhões que superou Star Wars, Mickey e Hello Kitty

 

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Tente responder rápido: quem foi Galileu Galilei? O George Washington tinha barba? Você lembra, de cabeça, o nome de quem pintou a Capela Sistina? Consegue descrever o rosto do Machado de Assis?

Quando a reportagem da CBN foi até a Liberdade, reduto da comunidade japonesa em São Paulo, mostrar a foto de figuras históricas e perguntar se os frequentadores sabiam o nome delas, vimos que por mais famoso que alguém seja, nem sempre é fácil ligar um nome a uma pessoa.

A situação foi diferente quando mostramos os monstrinhos de bolso que surgiram no Japão há 30 anos: cada Pokémon aparece ordenadamente, feito carta pela nossa cabeça. Afinal, o combinado sempre foi esse: temos que pegar! Todos eles.

Pokémon começou em 1996 com os jogos Red e Green para Game Boy no Japão

Divulgação/Pokémon

Império japonês

1996. Em um Brasil que tinha "É O Tchan" no rádio e "Rei do Gado" na TV, mas nenhuma pokébola na mochila, o ET de Varginha conseguiu voltar para casa.

Do outro lado do mundo, no Japão, não desperdiçaram essa oportunidade. Um jogo de Game Boy soube capturar e contar a história não de uma, porém de 151 criaturas - desta vez, devidamente identificadas.

Pokémon completa 30 anos não apenas como um videogame, mas um fenômeno cultural que vale US$ 147 bilhões - o que coloca o Pikachu e todos os seus companheiros em um sarrafo acima de franquias como Star Wars, Mickey e Hello Kitty.

Em 2025, a marca arrecadou US$ 12 bilhões só com licenciamento. Falamos de roupas, brinquedos, decorações e até itens de luxo. Pokémon vai de molho de tomate e água com gás a pingentes de ouro da Tiffany e bolsas da Fendi. São quase 500 milhões de jogos vendidos, cartas comercializadas em cerca de 90 países e filmes com bilheterias na casa das centenas de milhões de dólares.

Produtos em parceria com a marca Pokémon

Divulgação

Parte do sucesso da marca está na personalidade de cada um dos monstrinhos - introduzidos no videogame e aprofundados no anime, que estreou no Brasil em 1999. Assim, praticamente não há Pokémon esquecido.

Entre os 1.025 monstrinhos conhecidos, 99% deles é o favorito de alguém, de acordo com uma pesquisa feita entre mais de 26 mil fãs. Levando em conta que a marca impacta cerca de 500 milhões de pessoas no planeta, a probabilidade joga a favor que esse 99 - na verdade - vire 100.

Paixão que atravessa gerações

O pai Kaio César cresceu acompanhando a animação e passou a tocha para a pequena Ana Júlia, de nove anos.

"Assim que ela nasceu, eu já, além de cantar algumas canções de Pokémon pra ela, também assisti alguns episódios desde pequena. Quando ela cresceu um pouquinho mais, e começou a entender melhor, ela também gostou. Assiste comigo junto. Pra mim é realmente muito gratificante poder estar compartilhando toda essa experiência com a minha filha", conta.

A menina também tem seu Pokémon favorito, o Eevee. Porém, para a tristeza da Ana, a raposinha marrom está longe de ser a mais popular entre a comunidade. O campeão? É fácil de chutar o Pikachu ou o Charizard, mas não é nenhum desses medalhões.

É o Mimikyu - um bichinho que usa uma fantasia esfarrapada de Pikachu. Já a cara da franquia - o ratinho elétrico - ficou lá para trás, em 47º.

Mimikyu

Divulgação/Pokémon

Cartas que valem milhões

Tem quem leve o lazer para outro nível. O TCG, jogo cartas da franquia, chegou ao Brasil no ano 2000 e hoje - muito além de vendas nas bancas de jornal - movimenta leilões astronômicos. Uma única carta já foi vendida por mais de US$ 16 milhões. Recentemente, o Museu Van Gogh, em Amsterdã, parou por causa de uma carta exclusivo de um Pikachu impressionista.

Yuri Rocha se diz colecionador. Não é por menos. São três armários, 80 fichários e mais de 30 mil cartas avaliadas entre dois e três milhões. Um capital que valoriza conforme as edições deixam de ser impressas e viram raridade. A joia da coroa é um Charizard, comprado por R$ 120 e que, hoje, vale mais de R$ 25 mil.

Mas, o que leva alguém querer ter tudo de Pokémon? Para o Yuri, foi quase um acidente:

"Eu batia 'bafo' no recreio na escola. Eu tinha 'rapelado' um menino e ele quis continuar jogando. Ele começou a apostar cartas de Pokémon. Tem muita gente que conseguiu a primeira carta indo no filme, no cinema, e ganhou uma daquelas promos, sabe? Não, a minha primeira promo de filme veio nesse bafo. Eu lembro que foi o Dragonite", lembra.

Pokémon nas ruas

Pokémon Go

Reprodução

Em 2016, a franquia virou de cabeça pra baixo. Ela pôde ir para as ruas com Pokémon GO. O jogo celebra 10 anos em 2026, provando que não foi apenas uma “modinha”. Ele transformou parques em ginásios e desconhecidos em amigos, como é o caso do Eduardo Quaio.

“Dentro do jogo, tem como você gostar de várias features, tem a galera que gosta de caçar shiny, por exemplo, fica clicando em todos os pokémons que aparecem no mapa para ver se algum tem a sorte de um deles brilhar. Tem o estilo de jogo dos caras que são mais try-hards, que pensam em números, sabe? Tipo: ‘ah, nossa, todo dia eu tenho que capturar mil para eu manter um ritmo’, tem esse tipo de pessoa também. Eu particularmente gosto mais das raids", explica.

De 151 criaturas em preto e branco para um império bilionário, Pokémon passa pela crise dos 30 ainda jovem. Porque não importa quantos monstrinhos ou fãs ao redor do mundo, o lema segue o mesmo: Temos que pegar.