Poda de vegetação na Lagoa opõe biólogo e clube militar tradicional
O recente manejo da vegetação conhecida como taboa-do-brejo nas margens do Clube Naval Piraquê, na Lagoa Rodrigo de Freitas, deu o que falar após ser criticada pelo biólogo Mario Moscatelli, responsável pela renaturalização da área. O ambientalista condenou o corte da planta, enquanto o clube frisou ter apenas feito uma poda pontual por razões de segurança. Nos comentários, internautas deram razão a um ou outro lado, e muitos ponderaram sobre a necessidade de garantir a preservação ambiental sem comprometer a integridade das pessoas.
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Tudo começou quando Moscatelli, que trabalha em projetos de recuperação do ecossistema da lagoa desde 1989 e foi responsável pela renaturalização de um trecho dela, nos últimos anos, publicou em suas redes sociais que pediu ao clube que a taboa-do-brejo não fosse cortada três dias antes de a supressão acontecer.
— Faço um trabalho há mais de 36 anos na melhoria da qualidade ambiental das águas da Lagoa Rodrigo de Freitas, os resultados têm sido claros, tanto na explosão de biodiversidade como na melhoria da qualidade ambiental. Gostaria de entender a necessidade do corte bem como contar com o apoio do clube para que esse tipo de atividade não ocorra mais pelo bem da biodiversidade da lagoa — diz o biólogo.
Em resposta, o Clube Naval Piraquê publicou uma nota de esclarecimento nas redes sociais, afirmando que o procedimento consistiu em poda pontual, sem supressão definitiva da espécie. Segundo a instituição, a intervenção foi necessária porque o crescimento da vegetação estava obstruindo o campo de visão de câmeras de vigilância na portaria administrativa, um ponto considerado sensível para a segurança de sócios e funcionários, devido a ocorrências recentes de furtos e roubos.
" A vegetação não foi comprometida em sua integridade, sendo realizada apenas poda de manutenção que permite a regeneração natural da planta. O Clube Naval Piraquê reafirma seu compromisso com a preservação ambiental e com a manutenção das condições adequadas de segurança e salubridade em suas instalações, buscando sempre o equilíbrio entre a proteção ambiental e a responsabilidade institucional", diz o texto.
Após a postagem do Piraquê, Moscatelli fez nova publicação, na qual destacou a importância da taboa-do-brejo para a fauna local e sugeriu alternativas para preservar a segurança dos frequentadores do clube sem que seja preciso remover a vegetação, como a instalação de mourões e telas metálicas que impeçam que as capivaras que circulam pela região acabem se dirigindo às pistas de rolamento e causando acidentes.
O clube ainda menciona sua participação em programas de monitoramento da qualidade da água e a cessão de espaço para uma estação meteorológica, alinhada ao Plano Municipal de Contingência da Lagoa.
Além da questão ambiental, a instituição ressaltou problemas de saúde e bem-estar de frequentadores provocados por acúmulo de lixo, lama, entulho e vegetação no seu entorno, incluindo mosquitos transmissores de doenças e mau odor, apontando a necessidade de medidas de manutenção e segurança.
"O Clube já havia solicitado previamente apoio à Fundação Rio-Águas para a realização do desassoreamento do canal localizado no entorno da instituição, onde se verifica acúmulo de lixo, lama, entulhos e vegetação, incluindo a taboa do brejo. Contudo, recebemos resposta negativa do referido órgão", completa o texto do clube.
A repercussão nas redes sociais mostrou que a opinião dos internautas se dividiu. Na página do Clube Piraquê, a maioria dos comentários minimizou o episódio, classificando a situação como exagero. “A sociedade do MiMiMi! Uma poda! Só uma poda: simples assim!”, escreveu um usuário. Já na página do biólogo Mario Moscatelli, predominam manifestações críticas ao clube e pedidos por maior cuidado ambiental. “Acorda!! Use referências contemporâneas no cuidado com a natureza e contrate especialistas!”, publicou outro internauta.
