'Pochete da menopausa': por que a barriga muda mesmo sem ganhar peso?

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A chamada "pochete da menopausa" ganhou espaço nas redes sociais para descrever uma mudança que muitas mulheres percebem a partir do climatério: a barriga parece aumentar, enquanto o peso na balança permanece praticamente o mesmo. O apelido é informal e pode até transformar uma alteração natural do corpo em mais uma cobrança estética, mas a mudança na distribuição da gordura nessa fase da vida é real e está relacionada a uma combinação de fatores hormonais, metabólicos e ligados ao envelhecimento. Menopausa: o que acontece com a pele quando os hormônios mudam? É possível engravidar depois da menopausa? Entenda o que acontece com a fertilidade A redução dos níveis de estrogênio é parte desse processo, mas não explica tudo sozinha. A perda progressiva de massa muscular, alterações no sono, mudanças na rotina, menor gasto energético e outros fatores também podem influenciar a composição corporal. Por isso, a transformação da silhueta não deve ser interpretada simplesmente como resultado de falta de disciplina. "É muito comum a mulher chegar ao consultório dizendo que continua se alimentando da mesma maneira, mantém praticamente o mesmo peso, mas percebe que o corpo mudou e que a gordura passou a se concentrar mais no abdômen. Durante o climatério, existe uma combinação de alterações hormonais e metabólicas que pode modificar a composição corporal. Isso não significa que toda mulher terá a chamada 'pochete', mas é uma queixa bastante frequente e que merece ser analisada dentro de um contexto de saúde, não apenas estético", explica a ginecologista Carolina Orlandi. Por que a barriga pode mudar na menopausa? Durante a transição para a menopausa, a queda do estrogênio pode contribuir para uma alteração na forma como o organismo distribui a gordura. Antes, é comum que ela se concentre mais em quadris e coxas. Com o passar dos anos, porém, pode haver maior acúmulo na região abdominal. Também é importante diferenciar a gordura subcutânea, que fica logo abaixo da pele, daquela localizada mais profundamente no abdômen, ao redor dos órgãos. É a chamada gordura visceral que merece maior atenção do ponto de vista metabólico. "A preocupação maior não é simplesmente ter uma dobra de gordura na barriga. O que merece atenção é o aumento da gordura visceral, localizada mais profundamente no abdômen e metabolicamente mais ativa. Quando está em excesso, ela está associada a maior risco de resistência à insulina, diabetes tipo 2, alterações do colesterol, hipertensão e doenças cardiovasculares. Por isso, reduzir toda essa discussão a uma questão de aparência é perder uma oportunidade importante de prevenção", afirma a ginecologista Giovana Brunet, especialista em saúde integral da mulher e menopausa pela Harvard Medical School. Por que a balança pode não mostrar a mudança? Uma das razões para o estranhamento nessa fase é que o número na balança nem sempre acompanha a transformação percebida diante do espelho. Uma mulher pode manter um peso semelhante ao de alguns anos antes e, ainda assim, ter menos massa muscular e uma proporção maior de gordura no corpo. "Peso e composição corporal são coisas diferentes. É possível perder músculo e ganhar gordura sem observar uma alteração expressiva na balança. Por isso, nessa fase da vida, precisamos ampliar o olhar. Circunferência abdominal, alimentação, atividade física, pressão arterial, glicemia, colesterol e outros fatores de risco ajudam a construir uma avaliação muito mais completa do que simplesmente perguntar quantos quilos aquela mulher ganhou", destaca Giovana. Essa mudança também ajuda a explicar por que estratégias usadas anteriormente para controlar o peso podem deixar de produzir o mesmo resultado. O envelhecimento modifica a composição corporal e torna a preservação da musculatura especialmente importante. Dieta restritiva resolve? Quando a barriga muda, é comum que a primeira reação seja tentar reduzir drasticamente a alimentação. Dietas muito restritivas, porém, podem levar à perda de massa muscular junto com a gordura, o que não é desejável em uma fase em que preservar força e funcionalidade ganha ainda mais importância. "Não queremos que a mulher entre na menopausa acreditando que precisa comer cada vez menos para impedir qualquer mudança corporal. Precisamos pensar em qualidade da alimentação, quantidade adequada de proteínas, exercícios, principalmente os de força, sono, controle do estresse e avaliação dos fatores metabólicos. Preservar massa muscular passa a ser uma prioridade porque ela está diretamente relacionada à força, ao metabolismo e à autonomia ao longo do envelhecimento", orienta Carolina. A proposta, portanto, não é tentar reproduzir exatamente o corpo de outras fases da vida, mas entender o que está mudando e adaptar os cuidados a essa nova realidade. Atividade física regular, especialmente exercícios de força, alimentação equilibrada, sono adequado e acompanhamento dos indicadores de saúde fazem parte desse processo. Terapia hormonal elimina a 'pochete'? A terapia hormonal também costuma aparecer nessa conversa, principalmente pela expectativa de que a reposição de estrogênio possa mudar a distribuição da gordura. O tratamento, porém, não deve ser encarado como uma estratégia para emagrecimento ou para eliminar a gordura abdominal. "Existe uma expectativa equivocada de que iniciar terapia hormonal automaticamente fará a barriga desaparecer. Não é essa a finalidade do tratamento. A terapia hormonal pode ser indicada para determinadas mulheres e trazer benefícios importantes no manejo dos sintomas da menopausa, mas precisa ser individualizada. Composição corporal envolve diversos fatores e exige uma estratégia mais ampla", observa Giovana. Por que a barriga muda na menopausa? Entenda a chamada 'pochete' Magnific No fim, a chamada "pochete da menopausa" descreve uma alteração que pode acontecer nessa fase da vida, mas não necessariamente representa um problema que precise ser corrigido. Entender o que está por trás da mudança ajuda a olhar para o corpo de forma mais ampla e a identificar quando é preciso investigar alguma questão de saúde. Peso e circunferência abdominal são apenas parte dessa avaliação. Pressão arterial, glicemia e colesterol também ajudam a acompanhar as transformações que podem ocorrer durante o climatério e a orientar os cuidados necessários.

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