PMs de SP batem na Alesp em busca de verba

 

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Deputados estaduais confirmam que têm recebido comandantes da Polícia Militar de São Paulo nos gabinetes em busca de apoio para suprimentos básicos.

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Neste mês, o deputado Major Mecca, do PL, foi um dos procurados por policiais que levaram ofícios solicitando a liberação de verbas.

Segundo apuração da CBN, entre as principais demandas estão a falta de coletes à prova de balas em número suficiente para todo o efetivo operacional, uniformes desgastados e escassez de coturnos. Um policial ouvido pela reportagem, sob condição de anonimato, afirmou que há pelo menos dois anos muitos agentes revezam coletes ou compram o próprio equipamento.

A situação também foi relatada ao deputado durante visitas a batalhões:

"Eu converso com os policiais e com os comandantes. Tive exemplo de comandante falar para mim que faz dois anos que não chega farda no quartel; Fardamento, bota, colete."

O governo estadual informou que vai abrir apuração interna para esclarecer questionamentos sobre licitações e reforçou que a aquisição de suprimentos é de responsabilidade da própria Polícia Militar, com recursos previstos anualmente no orçamento da corporação.

Fontes do Palácio dos Bandeirantes classificam a movimentação como possível caso de indisciplina e afirmam que relatos de escassez não chegaram oficialmente ao gabinete do governador. Integrantes do alto escalão da gestão Tarcísio destacam que o governo não pode admitir interferência política na administração da corporação e não descartam que haja pressão da categoria em ano eleitoral.

Emendas Parlamentares

Um levantamento feito no Portal da Transparência mostra que há, atualmente, R$ 1,3 milhão em emendas parlamentares em processamento destinadas à Polícia Militar. Entre os pedidos chamam atenção recursos para aquisição de viaturas e compra de capas de colete tático.

Em entrevista à CBN, o deputado Capitão Telhada, do PP, afirmou que existem ainda R$ 110 milhões em emendas com tramitação concluída na Secretaria da Segurança Pública, aguardando autorização para pagamento. A expectativa é de liberação até maio. Os recursos contemplam reformas e adequações em batalhões, manutenções prediais e aquisição de equipamentos.

O parlamentar avaliou que a gestão Tarcísio de Freitas priorizou recomposição salarial com reajustes superiores à inflação e investimentos em tecnologia, mas reconheceu que deputados vêm sendo acionados para complementar demandas estruturais:

"Realmente os deputados estaduais tem sido procurados para, talvez, complementar com indicação de emendas as outras demandas, como aquisição de viaturas, equipamentos individuais e armamentos."

Os dados mostram que, em 2025, já foram pagas 30 emendas exclusivamente para a PM, totalizando R$ 4,8 milhões. Em 2024, foram 52 emendas pagas, somando R$ 9,8 milhões. Os partidos que mais destinaram recursos desde o ano passado são PL, PT, PSDB e Republicanos.

Entre as emendas quitadas em 2024 está uma do líder do PT na Alesp, deputado Paulo Fiorilo, que liberou 200 mil reais para reforma de batalhões:

"Os policiais militares e bombeiros invariavelmente visitam a Alesp no fim do ano pedindo emendas parlamentares. É triste ter um governador que infelizmente não prioriza a polícia. A falta de estrutura de ar condicionado, de mesa e de cadeira é permanente nos batalhões".

Já o deputado Tenente Coimbra, do PL, afirmou que não identifica falta generalizada de suprimentos, mas reconheceu que houve aumento na procura por emendas parlamentares destinadas à segurança pública:

"Aumentou o pedido de emendas, de fato, porque os batalhões viram que há muitos deputados parceiros da segurança e mandam bastante recurso. Obviamente é uma fonte de recurso extra para as unidades e eles estão correndo atrás por conta disso. Em termos de equipamentos e, principalmente, viaturas é uma inverdade. Foi a maior compra de viaturas da história. Agora referente às capas dos coletes e fardamento é uma verdade, porque, se não me engano, teve atraso na licitação."

Pressão da categoria

A insatisfação não se restringe à Polícia Militar. Entre policiais civis, circula nas redes sociais um vídeo em formato de sátira que apresenta um antitranspirante como solução para o revezamento de coletes balísticos.

No fim do ano passado, um dos sindicatos da categoria se reuniu com o presidente da Alesp, André do Prado, do PL, para tratar das demandas da segurança pública.

A pressão por recursos ocorre em meio a mudanças promovidas pela gestão Tarcísio na Secretaria da Segurança Pública.

Em fevereiro, o governo transferiu nove coronéis de áreas estratégicas e substituiu os chefes da Corregedoria e do Centro de Inteligência da PM. Segundo o governo, as alterações estão ligadas à chegada do coronel Henguel Ricardo Pereira à secretaria-executiva da pasta, para atuar ao lado do secretário Osvaldo Nico Gonçalves na reorganização interna.

As mudanças ocorreram após a saída do então secretário Guilherme Derrite, hoje deputado federal. Nico assumiu como gesto à Polícia Civil, enquanto Henguel passou a conduzir ajustes na estrutura administrativa e operacional da secretaria.

O que diz o Governo

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que os coletes balísticos são suficientes para atender todo o efetivo operacional e seguem as exigências técnicas, inclusive quanto aos prazos de validade.

Desde 2023, segundo a gestão, foram adquiridos mais de 38 mil coletes, com investimento de R$ 75,4 milhões, e está em andamento licitação para compra de outros 15 mil equipamentos.

Para 2026, estão previstos R$ 12,7 bilhões destinados exclusivamente à Polícia Militar, incluindo recursos para equipamentos de proteção e uniformes.

O Estado sustenta que mantém controle rigoroso sobre a substituição dos materiais e diálogo permanente com o efetivo para aprimorar as condições de trabalho.