PM imita ex-mulher com voz de IA para atrair e matar pais dela no RS, aponta investigação
Um policial militar é suspeito de ter usado inteligência artificial para imitar a voz da ex-companheira e atrair os pais dela antes de assassiná-los em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A investigação da Polícia Civil do Rio Grande do Sul aponta que o suspeito, o PM Cristiano Domingues Francisco, que teve prisão preventiva decretada no dia 9 de abril, utilizou um software de clonagem de voz para simular falas de Silvana de Aguiar, de 48 anos, que está desaparecida desde o fim de janeiro. Com os áudios falsos, ele teria convencido os pais da mulher, Isail, de 69 anos, e Dalmira Germann de Aguiar, de 70, a irem até um local sob o pretexto de ajudá-la. As informações são do g1.
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Segundo os investigadores, o casal foi morto após ser atraído por um suposto pedido de socorro da filha, que, àquela altura, já estava desaparecida. A perícia indica que os áudios têm alta probabilidade de terem sido gerados por inteligência artificial, conclusão reforçada por ferramentas especializadas.
Os três familiares não são vistos desde os dias 24 e 25 de janeiro. O caso, inicialmente tratado como desaparecimento, passou a ser investigado como homicídio após a polícia descartar a hipótese de sequestro e encontrar indícios de crime nas residências das vítimas.
O inquérito indiciou Cristiano por nove crimes, incluindo feminicídio, duplo homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Outras cinco pessoas também foram indiciadas por participação em ações como destruição de provas, fraude processual e associação criminosa. Entre elas estão a atual esposa do policial, familiares e um amigo.
De acordo com a polícia, há indícios de que parte do grupo tenha atuado no encobrimento dos crimes, apagando dados e manipulando informações para dificultar as investigações. Um dos pontos citados é o descredenciamento do aplicativo de clonagem de voz após a prisão do suspeito.
A investigação concluiu que seis pessoas são suspeitas de envolvimento em nove crimes diferentes. O inquérito policial indiciou o policial militar Cristiano Domingues Francisco por feminicídio contra a ex-companheira, Silvana de Aguiar, e por dois homicídios contra os pais dela, Isail e Dalmira Germann de Aguiar. Além dele, outras cinco pessoas também foram indiciadas.
No caso de Cristiano, a polícia atribui nove crimes: feminicídio; duplo homicídio triplamente qualificado; ocultação de cadáver; abandono de incapaz; falsidade ideológica; furto qualificado; fraude processual; falso testemunho; e associação criminosa. As penas somadas podem chegar a décadas de reclusão, conforme previsto para cada tipificação.
A atual esposa do policial, Milena Ruppenthal Domingues, também foi indiciada. Segundo a investigação, ela responderá por ocultação de cadáver, furto qualificado, falso testemunho, fraude processual e associação criminosa.
"Ao que tudo indica, (ela) participou do pós-crime, manipulando dados e conduzindo depoimentos. Ela seria uma peça fundamental. Há indicativos de que ela excluiu contas. Inclusive, o próprio aplicativo de clonagem de voz foi descredenciado quando o autor já estava preso. Então, ela tinha o conhecimento desse aplicativo e realizou o descredenciamento para tentar encobrir essa evidência”, afirmou o delegado Diego Traesel, diretor da Divisão de Inteligência Policial e Análise Criminal.
As defesas dos envolvidos, ouvidas pela reportagem do g1, afirmam que ainda não tiveram acesso integral ao inquérito e sustentam que as acusações são baseadas em hipóteses que serão contestadas ao longo do processo.
Veja a transcrição
Mãe, eu me acidentei no carro de uma amiga. Eu fui dar uma volta com ela e capotou o carro. Estamos no hospital.
Oi mãe, oi pai, é a Silvana, cheguei bem em casa, mas dei um probleminha aqui em casa, um fio de luz entrou em curto aqui na sala de casa e quase pegou fogo, pede para o pai vir aqui em casa me dar uma ajuda, será que o pai consegue vir aqui me dar uma ajuda rapidinho?
É coisa rápida, mas eu sozinha não consigo cortar o fio, é só cortar o fio mesmo pouca coisa ele está para fora da parede, só para não dar choque mesmo que daí amanhã já resolvo, só trazer um alicate para cortar o fio e já está bom. Só um alicate mesmo.
Eu tomei uma água com limão, mas acho que estava muito gelada. Mas está tudo certo, sim. Está bom. Tchau.
Pode deixar que eu ligo para ele para falar sobre isso. Mas pode entregar, sim. Amanhã resolvo. Deixa eu arrumar esse negócio da luz primeiro. O pai não conseguiu resolver aqui. Daí o Cristiano vai arrumar. Eu liguei para ele. Pois foi ele quem tinha feito essa elétrica. Daí ele vai pegar uns fios de luz que tem sobrando na peça das ferramentas. O pai explicou pra ele onde tá.
Daí o Cristiano tá indo aí agora pra pegar. Pode alcançar pra ele que ele tá ajudando nós. Pode ficar tranquila que ele tá indo aí.
Ah, mãe, eu não quero saber de picuinha. Só quero que ele resolva isso aqui. E deu, o pai tem que ir pra casa também.
Tá, deixa então, não precisa ajudar, eu me viro sozinha. Tem mais é que pedir para os outros estranhos ajudar mesmo, porque os de casa não podem... Meu telefone está travando muito, eu mexi de tarde. Num aplicativo, daí ficou bem ruim. Vou ter que levar para arrumar, está trancando muito. Está muito ruim de falar nele.
