PM encontrada morta com tiro na cabeça foi promovida pouco antes do crime

 

Fonte:


s nbc

A policial militar Gisele Alves Santana, cuja família diz ter sido vítima de feminicídio por parte do marido, comandante da PM, tinha sido promovida pouco antes do crime.

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Laudo de morte de PM indica que tiro foi dado com arma encostada no lado direito da cabeça

A informação foi dada à CBN pelo advogado dos familiares, José Miguel Silva.

"Ela ia trabalhar no Tribunal de Justiça, com um acréscimo de 30% no salário. Ele era tenente-coronel; tinha uma verdadeira posse em relação a ela. E, quando viu que ela poderia — poderia não — que ela iria… No dia em que ela faleceu, saiu a publicação no Diário Oficial. Ela teria um rendimento melhor, teria o apoio dos pais. Nossa, ela realmente teria coragem de sair fora. Ela estava tentando, então, sair fora, doutor? Ela estava tentando, estava buscando sair fora, mas estava sob um verdadeiro cárcere."

Gisele tinha 32 anos e foi encontrada morta no mês passado no apartamento onde morava com o marido, de 53 anos, no Brás, na região central da capital paulista.

O tenente-coronel estava no apartamento no momento do disparo e que a mulher cometeu suicídio.

A Justiça decretou sigilo nas investigações sobre a morte dela.

A família não descarta apoiar um eventual pedido de exumação do corpo, caso a medida seja solicitada oficialmente durante as investigações, também de acordo com o advogado. Ele explica que aguarda o pedido para que o procedimento seja feito.

"Então, aquela perícia ali pode ser que não tenha sido conclusiva para ele nesse aspecto. E, no decorrer das investigações, surgiram outros fatores que caminham que não ocorreu esse suicídio. Eles devem estar em dúvida; estando no Poder Judiciário, a família, embora seja doloroso, apoia, porque quer a verdade. No meu entendimento, como advogado da família, caminha-se para um feminicídio."

O caso foi registrado inicialmente como suicídio, mas passou a ser investigado como morte suspeita.

O advogado da família também explicou à reportagem sobre a dinâmica do relacionamento do casal. Segundo ele, Gisele foi obrigada pelo marido a romper contato com um colega de profissão com o qual se envolveu antes de se relacionar com Geraldo. O colega pediu para deixar a corporação por sofrer pressão por parte do tenente-coronel para se afastar da soldado.

Uma nova prova entregue pela defesa da vítima mostra um print de conversa em rede social que ela manteve com um primo dela. A imagem sugere que Geraldo usou o perfil da esposa para enviar uma mensagem ao parente, dizendo que os dois estavam "conversando demais" e que ele deveria "se orientar".

O laudo do exame necroscópico aponta que tiro foi dado com a arma encostada no lado direito da cabeça da policial.

A perícia também achou sangue no banheiro do apartamento onde o tenente-coronel diz que estava no momento em que ouviu o disparo - segundo ele, na sala.

O tenente-coronel diz que, minutos antes, havia comunicado à esposa que queria a separação.

Quando a polícia chegou ao local, o oficial pediu para tomar outro banho e foi autorizado pelos agentes que atenderam a ocorrência.

O exame residuográfico feito nas mãos da vítima e do companheiro não identificou vestígios de pólvora.

Na terça-feira (04), a Polícia Militar confirmou que Geraldo Neto pediu afastamento das funções.

A defesa do tenente-coronel não se manifestou até o momento.