PM demite capitão investigado por envolvimento em grupo de extermínio ligado ao jogo do bicho
A Polícia Militar do Rio de Janeiro demitiu o capitão Alessander Ribeiro Estrella Rosa, suspeito de envolvimento com um grupo de extermínio ligado ao Jogo do Bicho. A decisão tem como base um processo administrativo disciplinar conduzido pela Corregedoria da PM e foi referendada pelo secretário de Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes.
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O caso ainda será submetido ao governador Cláudio Castro, que decidirá sobre a perda do posto e da patente, o que definirá a expulsão do oficial da corporação. Em comunicado divulgado nas redes sociais, a Polícia Militar afirmou que "o referido policial não se enquadra nos critérios técnicos de comportamento e conduta necessários para a permanência nos quadros da corporação".
Estrella Rosa foi desligado ex officio, modalidade de demissão realizada por decisão unilateral da administração pública, fundamentada em interesse público, faltas disciplinares graves ou hipóteses previstas em lei. Em nota oficial, a Polícia Militar informou que a medida se baseia no processo disciplinar instaurado após acusações que resultaram na prisão do capitão em 20 de maio de 2025.
Ligação com o jogo do bicho
Na ocasião, Alessander se apresentou à polícia um dia após a prisão do cabo Diogo Briggs Climaco das Chagas, depois de ambos terem sido denunciados pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) por suposta participação em uma organização criminosa e pela comercialização de armas apreendidas em operações policiais.
Segundo a denúncia do MPRJ, ambos forneciam armamento para a organização criminosa comandada pelo ex-policial militar Thiago Soares Andrade Silva, conhecido como Soares, Batata ou Ganso.
As investigações do Gaeco apontaram que Thiago Soares teria ordenado a execução de dois integrantes de um grupo rival. Curiosamente, ambas as quadrilhas, segundo os promotores, atuavam para o mesmo chefe, o contraventor Rogério Andrade, atualmente preso em um presídio federal no Mato Grosso do Sul. O ex-PM é apontado como braço direito de Flávio da Silva Santos, conhecido como Flávio Pepe ou Flávio da Mocidade, presidente da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel, que não foi denunciado. Já o outro grupo, conforme as investigações do MPRJ, atuava na contravenção sob o comando do sargento da PM Márcio Araújo, chefe da segurança de Rogério.
Márcio Araújo chegou a ser preso, acusado de recrutar os homens que executaram o contraventor Fernando Iggnácio, rival de Rogério Andrade, mas foi beneficiado por um habeas corpus.
Tanto Flávio como Araújo, segundo o MPRJ, teriam envolvimento em disputas violentas pelo controle de áreas do jogo do bicho na Zona Oeste do Rio.
Oficial foi afastado no fim de semana
O oficial já havia sido afastado das funções no último fim de semana, após a divulgação de um áudio atribuído a ele, no qual apareceria negociando com traficantes do Comando Vermelho a retirada de barricadas no município de Belford Roxo, na Baixada Fluminense.
As suspeitas foram encaminhadas ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) por meio de uma denúncia anônima. Em nota, o MPRJ informou que o procedimento "está em tramitação sigilosa na assessoria de atribuição originária criminal do procurador-geral de Justiça".
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*Estagiário sob supervisão de Giampaolo Braga
