Pleno oferecia remuneração de 110% em seus CDBs, trocou de nome três vezes e gerou disputa judicial

 

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Assim como o Master, o banco Pleno, liquidado pelo Banco Central nesta quarta-feira de cinzas, também oferecia remuneração de seus títulos acima do mercado. Nas captações dos Certificados de Depósito Bancário (CDBs), a rentabilidade prometida para o investidor era de 110% do CDI, enquanto grandes bancos oferecem 100%.

Pleno: Banco Central decretou liquidação do banco de Augusto Lima nesta quarta

FGC: instituição vai desembolsar mais R$ 4,9 bilhões a clientes do Pleno

Dados do BC, mostram que em setembro do ano passado, o Banco Pleno tinha passivos de cerca de R$ 6,8 bilhões, sendo quase R$ 5,2 bilhões em CDBs e cerca de R$ 760 milhões em letras financeiras.

Com a liquidação do Master, em novembro, e a prisão de seu controlador, Augusto Lima (que foi solto, mas foi obrigado a usar tornozeleira eletrônica), a situação de liquidez do Pleno se deteriorou, as captações com CDBs cessaram e veio a liquidação. Do total de clientes, 160 mil terão direito à cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), num total de R$ 4,9 bilhões.

O Pleno teve origem no banco Indusval, trocou três vezes de nome e passou por diversas mudanças, até se posicionar como um banco médio, com foco em empréstimos para empresas, mas também buscando captar recursos com clientes pessoas físicas.

Pleno estava na Faria Lima

Sem agências físicas, e com sede localizada na Avenida Faria Lima, coração financeiro de São Paulo, o Pleno nasceu a partir do Banco Indusval & Partners (BI&P), fundado em 1967 pelo empresário do agronegócio Roberto de Rezende Barbosa. Quando foi criado, sua atividade principal era financiamento do agronegócio, mas também crédito corporativo.

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Em 2019, diante de problemas na operação, houve uma cisão societária, e os ativos problemáticos ficaram com o Indusval, enquanto sob o controle de uma holdig surgia o Voiter, focado em buscar soluções digitais e estruturadas para empresas.

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Em 2023, a holding sofreu uma nova cisão e caiu no radar do Master, que acabou comprando 100% do controle do Voiter. O negócio foi aprovada tanto pelo Banco Central quanto pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em abril de 2024. Barbosa, o fundador, se manteve como presidente do conselho. A mudança de controle foi descrita da seguinte maneira nas demonstrações publicadas pelo banco em 2024:

"A mudança de controle do Voiter, propiciou aumento dos limites operacionais, permitindo intensificar a estratégia de crescimento da carteira de crédito e originar operações com ticket médio maior, bem como acessar empresas com faturamento superior a R$ 1 bilhão, abrangendo novas oportunidades de negócio", diz o texto.

Augusto Ferreira Lima saiu da sociedade com Daniel Vorcaro no Master, em 2024. No ano seguinte, em julho de 2025, quando o conglomerado já mostrava sinais de fragilidade em suas operações, Lima 'ficou' com o Voiter.

Briga judicial com fundadores

Não se sabe exatamente quanto ele pagou pela instituição, mas Lima fez duas capitalizações no banco, que totalizaram R$ 160 milhões, e trocou seu nome para Pleno. Um dos ativos que ficou no Pleno foi o Credcesta, uma operação de crédito consigando, criada pelo próprio Lima, e que ajudou o Master a crescer nesse segmento.

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Após a venda do Voiter para o Master, a família Rezende Barbosa iniciou uma batalha judicial para cobrar valores devidos pela instituição de Daniel Vorcaro, segundo processo na Justiça de São Paulo. Simultaneamente à venda, os Rezende Barbosa investiram R$ 400 milhões em uma debênture emitida pelo controlador do Master.

Mas a família alega que não houve pagamento dos vencimentos nas datas acertadas. O Master alegou que a família pediu a antecipação do vencimento do contrato. As duas partes chegaram a assinar um acordo poucos dias antes do Master entrar em liquidação.

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