Plataformas low-code barateiam e aceleram a criação de softwares

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Fonte da notícia: Valor Valor

Foi para ganhar velocidade nos desenvolvimentos de aplicações e acelerar a transformação digital que a Vivix, fabricante nacional de vidros e espelhos, adotou a plataforma “low-code” da Mendix. Ferramentas do tipo “low-code”/“no-code”, que requerem pouca ou nenhuma programação manual, têm ganhado relevância, porque fornecem uma maneira mais fácil e rápida de construir softwares. As soluções, normalmente, entregam camadas de segurança, governança e linguagens atualizadas. “Entendemos que seguir pelo caminho de ‘low-code’ nos dava independência de fazer internamente, usando os engenheiros que conhecem as máquinas e processos industriais para desenvolver software”, diz Aristóteles Neto, gerente de transformação industrial da Vivix. Em três anos, foram criadas 30 aplicações de negócios, o que antes não era possível por não ter times maduros e seniores de tecnologia. O desenvolvimento se deu dez vezes mais rápido na comparação com o método tradicional. As novas aplicações na esteira da transformação digital se traduziram em aumento de 10% da eficiência industrial, redução de perto de 4% nas “opex” (despesas operacionais) e diminuição do tempo resposta do cliente para três dias. “Perto de 90% dos pedidos são colocados diretamente pelos clientes na plataforma, sem a intermediação de uma pessoa, produtividade aumentou quase 10% e as paradas não planejadas de produção na fábrica se reduziram a perto de zero”, enumera Henrique Lisboa, presidente da Vivix. Para Fabio Yoshitome, sócio da Kearney no Brasil e líder da prática de operações, o maior ganho não é apenas fazer mais barato, é testar em semanas o que antes levava meses. “Os ‘benchmarks’ de mercado mais citados apontam uma faixa de 50% a 80% de redução no tempo de desenvolvimento em casos adequados, sobretudo em aplicações internas, automações e fluxos de trabalho de baixa ou média complexidade.” Entretanto, ele alerta para a importância de separar custo de desenvolvimento do custo de operação. “A economia está em construir; operar pode custar igual ou mais, com licenças recorrentes, governança e manutenção de um portfólio que cresce rápido. A decisão não deve olhar só o preço de entrega, mas o custo total de propriedade”, analisa. Luis Blando, diretor-executivo de produto e tecnologia da OutSystems, aponta que o mais importante do processo - e que cabe ao humano - é a validação. “O valor de gerar a aplicação é atraente, porque eu aperto um botão e aparece como se já estivesse pronto. Mas a realidade é que é muito mais importante validar se realmente funciona, se opera corretamente, do que gerá-la em si”, frisa. Para tanto, é necessário contar com um profissional técnico com expertise para realizar a validação e a produção. Esse tipo de plataforma não vai substituir o trabalho de desenvolvedores, mas complementá-lo. “Se antes o programador demorava um dia para criar três telas, hoje, leva uma hora ou menos para criar as mesmas três telas”, diz Blando. Vicente Lima, principal da prática de digital e analytics da Kearney no Brasil, explica que as plataformas funcionam bem quando a aplicação tem baixo risco operacional, escopo relativamente estável, integração manejável e necessidade limitada de customização profunda. Mas, se há requisitos de alta resiliência, segurança crítica, rastreabilidade regulatória, engenharia de dados complexa ou grande volume transacional, o desenvolvimento tradicional continua dominante. “No passado, você escrevia a aplicação e, com o passar dos anos, as linguagens acabavam virando legado. A vantagem do ‘low-code’ é que o fornecedor da plataforma fica responsável por modernizar o que está por cima”, explica Ricardo Perdigão, líder do time de IA para Américas da Mendix. Isso não significa, contudo, que pessoas totalmente leigas conseguirão desenvolver aplicações corporativas do zero. “Não estamos ainda nesse ponto. Hoje, a principal alternativa para ‘no-code’ é usar assistente de IA. O problema é que os protótipos de inteligência artificial generativa não chegam ao nível de produção empresarial”, pondera Perdigão.

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