Plataforma de acomodação aposta em curadoria de hospedagens em meio à natureza e com filtros de sustentabilidade - QTU Questões do Universo

Plataforma de acomodação aposta em curadoria de hospedagens em meio à natureza e com filtros de sustentabilidade

Fonte: Bandeira da fonte

Para quem procura uma cabana no meio da natureza para passar o fim de semana, a paisagem costuma ser parte importante da escolha.
Na Holmy, plataforma brasileira de curadoria e reserva de hospedagens de temporada, esse é também um dos principais critérios de seleção das propriedades.
A empresa mantém um filtro específico para hospedagens “sustentáveis e ecológicas”.
A empresa surgiu a partir da trajetória de Anna Laura Woff, fundadora da plataforma, no turismo.
Jornalista, ela começou com um blog de viagens que posteriormente se transformou em um portal de indicação de hospedagens.
Durante esse período, chegou a atuar como afiliada do Airbnb e de outras plataformas, indicando cabanas e casas de temporada no Brasil.
Com o fim da pandemia e a retomada das viagens internacionais, o Airbnb encerrou o programa de afiliados.
Woff, no entanto, já havia construído uma carteira de clientes e uma rede de contatos com proprietários de cabanas.
O relacionamento deu origem à Holmy, criada como uma plataforma de curadoria de imóveis para aluguel de temporada.
As propriedades passam por seleção e inspeção antes de serem incluídas no catálogo.
O foco está principalmente em destinos de montanha e imóveis em contato com a natureza.
Segundo Woff, cerca de 90% das hospedagens listadas pela empresa estão nesse perfil.
Holmy: usuários podem escolher cabanas sustentáveis e ecóligicas no filtro da plataforma
Captura de imagem do site/Holmy
Sustentabilidade como critério secundário
Apesar de oferecer o filtro “sustentável e ecológico”, Woff faz uma distinção entre a proposta da Holmy e uma plataforma especializada em turismo sustentável.
Nem todas as propriedades cadastradas adotam práticas ambientais, e a sustentabilidade é apenas um dos critérios disponíveis para o usuário.
Segundo a fundadora, ainda são poucos os hóspedes que chegam à plataforma procurando especificamente uma hospedagem sustentável.
Por isso, a estratégia é apresentar essas alternativas dentro da experiência de busca, em vez de depender exclusivamente de uma demanda explícita por esse atributo.

Como muitos dos clientes já buscam contato com a natureza, a ideia é, a partir daí, apresentar as práticas ambientais adotadas por cada hospedagem.
Pelo serviço de concierge, a equipe também indica hospedagens com iniciativas ambientais a clientes interessados.
A sustentabilidade aparece ainda no conteúdo produzido pela empresa sobre as propriedades e os destinos.
A relação com os anfitriões vai além da intermediação das reservas.
De acordo com Woff, proprietários também procuram a equipe para pedir orientações sobre práticas que podem ser adotadas nas casas, como separação de resíduos e instalação de composteiras.
Casas com práticas ambientais
Entre as hospedagens citadas pela fundadora está a Quinta da Aliança, em Consolação (MG), na Serra da Mantiqueira.
Segundo Woff, a propriedade foi construída com madeira de reflorestamento, utiliza compostagem em todas as unidades e conta com painéis solares para geração de energia.
As casas não têm fornos nem ar-condicionado e não oferecem televisão ou outros eletrônicos aos hóspedes.
Outro exemplo mencionado por Woff é um conjunto de quatro domos em formato de bolha, em Botucatu (SP).
A proprietária é vice-presidente de um instituto de reabilitação de animais silvestres.
[Confirmar com a fonte o nome correto do instituto antes da publicação.]
Os exemplos ajudam a ilustrar o tipo de imóvel que a plataforma procura incorporar ao catálogo, mas não significam que todas as propriedades tenham o mesmo nível ou conjunto de práticas ambientais.
Segundo Woff, parte dos proprietários que procuram a Holmy para anunciar suas estadias na plataforma já teve contato com projetos de turismo ou construção sustentável em viagens ao exterior e tenta reproduzir algumas dessas experiências no Brasil.
Entre eles estão donos de pequenas chácaras, fazendas e casas de temporada.
O público da plataforma, segundo a fundadora, é formado principalmente por casais de 25 a 40 anos que procuram finais de semana e experiências de contato com a natureza.
A executiva relaciona esse movimento à aproximação entre turismo, bem-estar e experiências em ambientes naturais.
A empresa é formada integralmente por mulheres, segundo Woff, e também busca valorizar características culturais dos destinos onde estão as propriedades.
A Holmy tem mais de 100 mil seguidores no Instagram.
A empresa começou com três casas no catálogo e ampliou o número de propriedades desde então, mas a fundadora não informou o total atual.
Para Woff, o interesse por hospedagens em contato com a natureza vem crescendo.
Na prática, porém, a própria empresa identifica uma diferença entre o apelo ambiental e o que efetivamente leva o consumidor a reservar: a paisagem e o aspecto visual da cabana ainda têm mais peso comercial do que a sustentabilidade isoladamente.