Plano de retirada de navios retidos no Golfo através de Ormuz está em andamento, diz ONU
Um plano de retirada para permitir que centenas de navios, com cerca de 11 mil marinheiros retidos no Golfo, atravessem o Estreito de Ormuz está em andamento após Irã e Estados Unidos chegarem a um acordo de cessar-fogo, informou nesta terça-feira (23) a agência marítima das Nações Unidas.
“Já começamos a entrar em contato com os navios para iniciar a retirada”, disse um porta-voz da Organização Marítima Internacional (OMI), sem fornecer um cronograma.
A OMI informou que obteve “as garantias de segurança necessárias e verificou minuciosamente as condições para uma navegação segura a fim de apoiar essas operações”.
“Essa operação de grande escala será realizada em estreita cooperação com o Irã, Omã, todos os demais países costeiros da região, os Estados Unidos e a indústria marítima”, afirmou o secretário-geral da OMI, Arsenio Dominguez, em comunicado.
Nesta terça-feira, três superpetroleiros que estavam retidos atravessaram, mostraram dados de rastreamento marítimo. Além disso, navios vazios de gás natural liquefeito (GNL) ligados ao Catar entraram na região nas últimas semanas, em um sinal inicial de que o transporte de gás do Golfo pode estar sendo retomado.
Mais cedo, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse em publicação na plataforma Truth Social ter concordado em permitir que o estreito permaneça aberto, sem novo bloqueio naval. “No entanto, todos os navios permanecerão posicionados caso seja necessário restabelecer o bloqueio, o que, neste momento, parece altamente improvável”, acrescentou ponderando. Em outra postagem, o presidente americano afirmou que 19 milhões de barris de petróleo passaram pela hidrovia na segunda-feira.
O número de travessias pelo Estreito de Ormuz, porém, ainda representa apenas uma fração das cerca de 125 passagens diárias registradas antes do início da guerra com o Irã.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, deve discutir o acordo preliminar firmado entre Washington e Teerã com lideranças do Golfo durante uma viagem que começa nesta terça-feira aos Emirados Árabes Unidos, ao Kuwait e ao Bahrein. Entre os temas centrais estará justamente a navegação por Ormuz, cuja segurança é considerada essencial para garantir o fluxo de embarcações comerciais por uma das principais rotas globais de transporte de petróleo e gás.
