'Planejamos ações ostensivas e de inteligência': novo comandante do 12°BPM de Niterói revela estratégia contra guerra de facções

 

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Após a saída do tenente-coronel Leonardo Oliveira — que assumiu o Comando de Policiamento de Trânsito (CPTran) —, o tenente-coronel Júlio Cesar da Silva Castro assumiu a gestão do 12º BPM (Niterói), na última segunda-feira. Com experiência acumulada nos batalhões de São Gonçalo (7º BPM), entre 2016 e 2017, e, mais recentemente, em Itaboraí (35º BPM), o comandante garante que a nova gestão pretende continuar atuando com inteligência, com o auxílio das tecnologias de segurança já implementadas na cidade, como o Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp), ferramenta de monitoramento integrado entre as forças de segurança da cidade; e o ShotSpotter, sistema de localização de disparos de arma de fogo em tempo real. Em entrevista exclusiva ao GLOBO-Niterói, Júlio Cesar explicou como pretende inibir as ações de flanelinhas, destacou a importância da ocupação policial no Fonseca a fim de combater a guerra entre facções criminosas na região e comentou sobre o armamento da Guarda Municipal. Confira os principais trechos.

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Os dados de criminalidade em Niterói oscilaram nos últimos cinco anos. O que pode ser feito para manter em baixa os índices registrados pelo Instituto de Segurança Pública (ISP)?

A criminalidade não é sazonal, mas fatores do cotidiano e sociais influenciam. Segurança exibe antecipação. Tivemos um aumento recente na letalidade violenta por conta de conflitos no Fonseca, o que gerou operações e embates. Para manter os números baixos, faremos um acompanhamento próximo dessas questões e um estudo de fenômenos sociais para realizarmos respostas preventivas.

Como os flanelinhas serão combatidos?

A segurança pública envolve múltiplos aspectos, e a atuação em relação aos flanelinhas exige uma abordagem integrada. Já estabeleci contato com a Secretaria de Ordem Pública (Seop) para uma atuação conjunta. Acreditamos que todo delito começa com pequenas transgressões sociais. Nosso plano compreende as dificuldades da população, mas é fundamental a participação da vítima para dar andamento aos processos. Sozinhos não construímos nada; os focos são o diálogo com os órgãos municipais e a prevenção.

O policiamento entre 22h e 6h, período em que a população se sente mais vulnerável, será reforçado?

Nossa equipe técnica e os novos oficiais estão trabalhando para otimizar os métodos de policiamento ostensivo. O objetivo é aumentar a sensação de segurança justamente nos horários de menor presença policial. Embora a presença física nem sempre seja visível em cada esquina, há vigilância constante por tecnologia. Existe um estudo técnico em andamento para identificar as melhores soluções e ampliar o efetivo no terreno durante a madrugada.

Qual o planejamento para resolver a guerra entre facções no Fonseca?

Estamos planejando ações ostensivas e estratégias de inteligência para monitorar e interceptar a atuação de criminosos, buscando minimizar possíveis impactos negativos e garantir a segurança da população. Nosso objetivo é proteger os cidadãos e assegurar a tranquilidade, permitindo o livre trânsito nas comunidades. As ações são elaboradas em colaboração com os escalões superiores e com a Procuradoria, visando a uma atuação firme e efetiva na ocupação do território, restabelecendo a sensação de segurança. A percepção de segurança local tem melhorado, com a redução dos confrontos armados e demais ocorrências. Então estamos observando uma tendência de normalização da situação.

O senhor é a favor do armamento da Guarda Municipal de Niterói?

É uma questão que exige um estudo muito profundo e criterioso. Minha opinião deve ser técnica. A decisão cabe aos poderes Executivo e Legislativo. A Polícia Militar está aqui para apoiar o que for decidido dentro da lei. Independentemente do resultado desse debate na sociedade e entre os governantes, o 12º BPM atuará em conformidade com as diretrizes legais e em parceria com as instituições. O essencial é que qualquer definição seja feita de forma técnica e responsável.

O Mapa do Crime (ferramenta de monitoramento do GLOBO) constatou que cinco bairros (Centro, Icaraí, Fonseca, Barreto e Itaipu) concentram a maior parte dos roubos na cidade. Como melhorar os índices nestas regiões?

Nenhuma iniciativa é construída de forma isolada. Tenho buscado intensamente a interação entre os órgãos responsáveis pela segurança pública, pois acredito firmemente na importância do trabalho em equipe. Já estabelecemos um planejamento abrangente, com o acompanhamento de nossa equipe técnica, visando a otimizar o policiamento e o uso dos recursos policiais e das viaturas. A parceria com os demais órgãos envolvidos na segurança pública municipal tem se mostrado muito proveitosa, e pretendemos mantê-la e aprimorá-la para buscar soluções conjuntas.

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