Planalto enfrenta novo desgaste envolvendo filho de Lula
Em meio aos impasses e disputas judiciais que travam o avanço das apurações sobre as fraudes envolvendo o Banco Master e o escândalo do INSS, o Palácio do Planalto passa a lidar com um novo desgaste envolvendo o filho do presidente Lula. Uma reportagem do Estadão apontou que Lulinha teria dito a pessoas próximas que teve passagens e hospedagem em Portugal custeadas pelo lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, que está preso suspeito de integrar um esquema bilionário de fraudes contra aposentados. De acordo com a reportagem, Lulinha viajou em novembro de 2024, em classe executiva, para conhecer uma fábrica de cannabis medicinal na região de Aveiro, em Portugal, a convite de Antunes. Ele afirma que não fechou negócios nem recebeu valores do lobista. A Polícia Federal investiga se mensagens que mencionam repasses ao “filho do rapaz” têm ligação com ele. O sigilo bancário de Lulinha foi quebrado pela CPMI do INSS, na semana passada, em uma sessão conturbada entre governo e oposição.
No Congresso, as comissões de inquérito seguem em busca de detalhes do envolvimento de Vorcaro e do Banco Master nos desvios bilionários do INSS. O presidente da CPMI, senador Carlos Viana, cobrou da Polícia Federal o envio integral dos documentos sigilosos de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Após reunião com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ele afirmou que o prazo para o repasse das informações é de uma semana. O senador discorda da decisão do ministro André Mendonça, que restringiu o compartilhamento aos dados sobre empréstimos consignados. Já o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, analisa se mantém ou anula a votação que aprovou, em bloco, 87 requerimentos, incluindo a quebra de sigilo de Lulinha. A comissão pode ser encerrada no dia 28, caso não haja prorrogação.
Na CPI do Crime Organizado, o relator Alessandro Vieira anunciou que recorrerá da decisão do ministro Gilmar Mendes que suspendeu a quebra de sigilo da empresa Maridt, ligada à família do ministro Dias Toffoli e posteriormente vendida ao grupo de Vorcaro. O senador afirmou que a decisão “não se sustenta” e questionou o uso de habeas corpus para beneficiar pessoa jurídica. A CPI também marcou o depoimento de Vorcaro para esta quarta-feira.
