Planalto avalia que Tarcísio ainda pode entrar na disputa presidencial contra Lula

 

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Apesar de a pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira ter mostrado uma melhora no desempenho de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), integrantes do governo com assento no Palácio do Planalto entendem que não está descartada a possibilidade de o governador de São Paulo, Tarcisio de Freitas (Republicanos), assumir o posto de candidato na disputa presidencial de outubro, em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentará a reeleição.

De acordo com um auxiliar do petista, as movimentações que vêm sendo feitas por Tarcísio indicam que ele não desistiu de seu plano nacional. Na terça-feira, o governador de São Paulo publicou nas redes sociais um vídeo, gravado no ano passado, em que faz críticas ao PT. A sua mulher, Cristiane Freitas, escreveu em um comentário na postagem: "Nosso país precisa de um novo CEO, meu marido". A frase foi prontamente curtida por Tarcísio.

Uma ala do governo acredita que o cenário mais provável é que Jair Bolsonaro, que cumpre pena na Superintendência da Polícia Federal em Brasília por tentativa de golpe de estado em 2023, não aceite passar o bastão de liderança política da direita ao endossar uma candidatura do governador de São Paulo. Mas mesmo esses auxiliares não descartam que o quadro possa mudar até o começo de abril, prazo final para a desincompatibilização de Tarcísio.

A pesquisa da Quaest mostrou que Flávio Bolsonaro, indicado pelo pai como pré-candidato a presidente, avançou em seu patamar de intenções de votos e marca entre 23% e 32% de preferência nos cenários de primeiro turno. Em dezembro, o senador atingia entre 21% e 27% das intenções de voto. Na simulação de segundo turno contra Lula, o filho 01 de Bolsonaro perde por 45% a 38%. A vantagem do petista em dezembro era de 46% a 36%.

No entendimento do governo, Flávio é um adversário menos perigoso do que Tarcísio por causa da sua alta rejeição. A pesquisa da Quaest divulgada na quarta-feira mostrou os dois nomes da direita com patamares parecidos no segundo turno. O governador de São Paulo perde para Lula 44% a 39%. A diferença principal está justamente na rejeição. Tarcísio tem 43% e Flávio soma 55%, mesmo patamar que Lula, que aparece com 54%.

De acordo com um auxiliar do presidente, o governador de São Paulo, por se apresentar como um quadro de perfil mais moderado, teria mais capacidade de atrair o eleitorado de centro, que no primeiro turno da eleição de 2022, por exemplo, votou em Simone Tebet (MDB).

Nas projeções feitas pelo Planalto, num embate contra Flávio, esse eleitorado, por rejeitar a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, poderia novamente votar no atual presidente, como aconteceu em 2022. Numa disputa apertada, esses votos fazem diferença. Lula venceu Bolsonaro no segundo turno por 50,9% a 49,1% dos votos válidos