O Palácio do Planalto avalia que a crise diplomática com a Argentina provocou desgaste político para o presidente Javier Milei dentro do próprio país. A leitura do governo brasileiro é de que as declarações do presidente argentino geraram repercussão negativa e levaram integrantes da Casa Rosada a adotar um discurso de contenção para evitar novos impactos na relação entre os dois países. Para o governo, a Argentina optou por adotar um tom mais moderado. Nos bastidores, interlocutores do governo também avaliam que a atuação de Milei ocorreu de forma coordenada com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma estratégia para influenciar o cenário político brasileiro. Apesar dessa avaliação, a orientação do presidente Lula é evitar responder diretamente às provocações e manter a reação no campo diplomático. Nesta quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, afirmou que o governo de Javier Milei não pretende romper relações com o Brasil. Segundo ele, as divergências entre os presidentes Lula e Milei são de natureza política e ideológica e não devem afetar as relações institucionais entre os dois países. Quirno reiterou ainda que Milei apoia a família Bolsonaro, mas disse que Buenos Aires não pretende elevar a crise ao plano institucional. ‘Acho que temos que enquadrar este último episódio em uma série de episódios que vêm ocorrendo entre Brasil e Argentina por diferenças políticas e ideológicas que temos, que o presidente Milei tem com o presidente Lula, e que vemos o mundo de uma maneira totalmente diferente. A Argentina não eleva nem elevou este tema ao nível institucional. Ou seja, separamos o que é o canal político e o canal ideológico do canal institucional. Nós tivemos episódios desta natureza aos quais não respondemos. Não estamos respondendo nem vamos responder às declarações que estão fazendo não só o presidente Lula, mas também dos aliados.’ Enquanto isso, diplomatas brasileiros afirmam que o Itamaraty não recebeu qualquer sinalização de um pedido formal de desculpas por parte da Argentina. Ainda de acordo com interlocutores, a decisão sobre o retorno do embaixador brasileiro Júlio Bitelli a Buenos Aires dependerá da evolução do quadro diplomático. Nesta quarta, o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, se reuniu novamente com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para tentar reduzir a tensão diplomática entre os dois países.
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Planalto avalia que crise diplomática com Argentina provocou desgate político para Milei
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