PL fala em golpe e reforça discurso contra o STF em meio à crise institucional no Rio
O PL passou a atacar com mais veemência o Supremo Tribunal Federal (STF) em meio à crise política e institucional no Rio de Janeiro, agravada pela manutenção do desembargador e presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), Ricardo Couto, no cargo de governador interino. Integrantes da legenda passaram a defender abertamente que o estado sofre um “golpe” e reclamam de uma suposta aproximação política do magistrado.
Enquanto isso, já passam de 800 as exonerações feitas por Couto no Executivo estadual. Só nesta quarta-feira, foram trocados secretários de pastas estratégicas, como Fazenda e Meio Ambiente. O movimento incomoda o PL: a cúpula do partido avalia as demissões em massa como um elemento de desgaste para o ex-governador Cláudio Castro e uma demonstração clara de que o desembargador espera permanecer por um longo período no cargo.
As críticas ao STF se intensificaram após o ministro Cristiano Zanin negar, na última semana, o pedido do recém-eleito presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Douglas Ruas (PL), para assumir o Palácio Guanabara. O argumento da Casa era o de que a eleição de Ruas havia restabelecido a linha sucessória natural do estado. Zanin, porém, reiterou que Ricardo Couto fica no cargo até que o Supremo conclua o julgamento do processo que definirá se o Rio de Janeiro terá eleição indireta ou direta para escolher o ocupante do mandato-tampão.
Na tribuna do Senado, nesta terça-feira (28), o senador Carlos Portinho (PL) elevou o tom. Ele afirmou que “o STF rasga a Constituição ao não deixar que o presidente da Alerj assuma como governador do Rio para convocar eleições indiretas”. O vídeo com a declaração de Portinho foi amplamente compartilhado por outros membros do PL, incluindo o próprio Douglas Ruas.
