Pixar cortou trama LGBTQ de 'Elio' para evitar temas que crianças 'não estão prontas para ver', diz diretor
Diretor criativo da Pixar, Pete Docter, responsável por animações como "Monstros S.A.", "Up — Altas aventuras" e "Divertida mente", afirmou que o estúdio decidiu remover uma trama LGBTQ da animação "Elio" durante o processo de reformulação do filme. Segundo ele, a Pixar não queria expor o público infantil a temas que muitas crianças não estariam prontas para ver e que ainda não discutiram com os pais.
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Em entrevista ao The Wall Street Journal, Docter explicou a decisão de alterar profundamente o projeto. “Estamos fazendo um filme, não centenas de milhões de dólares em terapia”, afirmou.
A animação acompanha um garoto solitário que, após ser rejeitado e tratado como estranho por outras crianças, passa a buscar amizade no espaço e acaba envolvido em uma aventura intergaláctica. Apesar da premissa considerada promissora, o filme teve desempenho fraco em sessões de teste iniciais, com muitos espectadores dizendo que não pagariam para assisti-lo no cinema. Diante da recepção negativa, Docter decidiu promover uma grande reformulação da produção — mesmo com parte significativa da animação já concluída.
As mudanças levaram à saída do diretor original, Adrian Molina — cineasta abertamente gay e coautor de "Viva — A vida é uma festa". O projeto foi então assumido pelas cineastas Madeline Sharafian e Domee Shi, que fizeram alterações substanciais no enredo.
De acordo com a reportagem, versões anteriores do filme incluíam sinais de que o personagem principal seria gay — como uma bicicleta rosa e uma cena em que ele imaginava um futuro ao lado de um garoto por quem tinha uma paixão. A remoção desses elementos teria provocado críticas internas dentro da Pixar, especialmente após a decisão da Disney de também retirar um personagem transgênero da série animada "Ganhar ou perder". Ex-integrantes da equipe disseram que a remoção desses elementos acabou diluindo parte do tema central do filme, que originalmente tratava de identidade e pertencimento.
Lançado em junho de 2025, “Elio” acabou tendo um desempenho comercial abaixo do esperado para um projeto do estúdio: o filme arrecadou cerca de US$ 150 milhões no mundo todo, o que seria considerado expressivo se não fosse o fato de que o filme custou aproximadamente o mesmo valor para ser produzido — sem contar as despesas globais de marketing.
"Com o passar do tempo, percebi que meu trabalho é garantir que os filmes agradem a todos”, disse Docter em outro trecho da entrevista.
