Exposição solar pode alterar a pigmentação das pintas, mas mudanças de tamanho, formato e cor também exigem atenção; especialista explica como identificar sinais suspeitos de câncer de pele Você já reparou em uma pinta no corpo depois de um dia de praia e teve a impressão de que ela estava mais escura ou maior? Com a chegada dos dias quentes, a pele fica mais exposta ao sol, e algumas marcas que antes passavam despercebidas podem chamar a atenção diante do espelho.
Mas será que as pintas realmente mudam com o calor? Segundo a dermatologista Débora Cadore, a exposição à radiação solar pode estimular alterações no tamanho e na pigmentação dessas lesões. “A radiação solar pode estimular a lesão, a pinta a crescer e a ficar mais escura.
Então, a exposição solar de forma exagerada faz com que o tamanho da lesão aumente, assim como altera a pigmentação”, explica a médica. Embora nem toda mudança signifique câncer de pele, observar a própria pele é importante.
Uma pinta que cresce, muda de cor, apresenta bordas irregulares ou começa a sangrar merece avaliação de um dermatologista. A exposição solar é um dos fatores que influenciam a saúde da pele.
A radiação ultravioleta pode estimular alterações na pigmentação e contribuir para danos celulares ao longo do tempo. Por isso, o cuidado não deve começar apenas no verão.
Mesmo na primavera, passar muitas horas sob o sol sem proteção pode aumentar os riscos, especialmente entre pessoas com fatores de predisposição ao câncer de pele. O histórico pessoal ou familiar da doença, a presença de muitas pintas e episódios repetidos de queimaduras solares são alguns dos fatores que merecem atenção.
Uma das primeiras características que a dermatologista recomenda observar é o chamado “sinal do patinho feio”. A expressão descreve uma pinta que se destaca das demais por apresentar aparência diferente.
Também é importante ficar atento a mudanças no tamanho, na forma e na coloração, além de lesões que sangram ou não cicatrizam. Uma maneira de organizar essa observação é utilizar a regra do ABCDE, que reúne cinco características associadas a sinais suspeitos:
A regra serve como orientação para perceber alterações, mas não confirma nem descarta um diagnóstico. Se uma pinta parecer diferente ou apresentar mudanças, a recomendação é procurar avaliação médica.
Sim. O melanoma, um tipo de câncer de pele, nem sempre aparece como uma lesão completamente nova.
Segundo Débora Cadore, cerca de 30% dos melanomas surgem a partir de lesões que já existiam na pele. “São lesões que o paciente já tinha, algumas desde o nascimento, outras adquiridas durante a infância, adolescência ou até mesmo na vida adulta e que se transformaram em um câncer melanoma”, afirma.
É por isso que conhecer as próprias pintas e acompanhar possíveis mudanças faz diferença. Uma marca que permaneceu igual por anos, mas passou a crescer ou apresentar outra coloração, não deve ser ignorada.
Coceira, dor, descamação e sangramento também merecem avaliação. Esses sintomas não significam necessariamente câncer, pois podem estar associados a diferentes condições dermatológicas, mas precisam ser investigados quando aparecem em uma lesão.
O melanoma é um tipo de câncer de pele que se origina nos melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina, pigmento que dá cor à pele. A doença exige atenção porque pode se espalhar para outras partes do corpo.
Identificar lesões suspeitas e buscar avaliação médica sem demora são medidas importantes para o diagnóstico. A dermatologista explica que o exame clínico pode ser complementado por instrumentos como o dermatoscópio, que permite observar estruturas da pele que não são visíveis a olho nu.
A avaliação especializada ajuda a determinar se uma lesão precisa de investigação adicional. Os efeitos da radiação ultravioleta não se limitam à exposição mais recente.
Os danos podem se acumular ao longo dos anos. “A radiação ultravioleta é carcinogênica, ela muda o DNA da célula.
É cumulativo. É a poupança do sol”, compara a dermatologista.
Históricos de queimaduras solares importantes e repetidas merecem atenção especial. Pessoas de pele clara, ruivas, com sardas, com muitas pintas ou com histórico pessoal ou familiar de câncer de pele também precisam ter cuidado redobrado.
Isso não significa que apenas esses grupos possam desenvolver a doença. A proteção solar e a observação da pele são importantes para todos.
O filtro solar é uma das principais medidas de fotoproteção, mas não precisa ser a única. Barreiras físicas também ajudam a reduzir a exposição direta à radiação ultravioleta.
“A barreira física é muito importante. É um hábito que deve ser ensinado”, destaca Débora.
Outra medida importante é observar a pele periodicamente. Conhecer a aparência habitual das pintas ajuda a perceber quando uma delas começa a se comportar de maneira diferente.
A frequência das consultas depende do histórico e dos fatores de risco de cada pessoa. Segundo Débora Cadore, quem não tem histórico pessoal ou familiar de câncer de pele e não apresenta exposição solar excessiva pode realizar uma avaliação anual.
Para pessoas com histórico familiar, a médica recomenda acompanhamento pelo menos duas vezes ao ano. Já quem teve câncer de pele precisa seguir um cronograma individualizado, definido pelo dermatologista conforme o diagnóstico e a evolução do caso.
Mais do que se preocupar com toda pinta que aparece no corpo, o importante é observar mudanças e não adiar a avaliação quando algo parecer diferente. Uma lesão que cresce, muda de cor, sangra ou se destaca das demais merece atenção especializada.
Lidia Gabriella é repórter do ND Mais, no Núcleo Nacional, e acompanha de perto as tendências digitais e os assuntos que mais repercutem no noticiário brasileiro e mundial. Curiosa e atenta aos temas que movimentam o país, escreve sobre comportamento, entretenimento, ciência, astrologia e assuntos que repercutem nas redes e no cotidiano dos leitores.
É jornalista em formação pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e atua na área esde 2022. Tem experiência em portal de notícias e assessoria de comunicação no Ceart-Udesc.
Participou de coberturas de Carnaval, Olimpíadas e das enchentes no Rio Grande do Sul. Também cobriu as Eleições 2024 pelo ND Mais, focada na produção de matérias factuais sobre o andamento do pleito em diversas cidades do Brasil.
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