Piloto que pousou avião após pane nas portas cobra R$ 50 milhões da Boeing por tentar transformá-lo em 'bode expiatório'
Um piloto da Alaska Airlines responsável por conduzir em segurança um pouso de emergência após a explosão de um painel da cabine em pleno voo entrou com uma ação judicial contra a Boeing, acusando a fabricante de aeronaves de tentar transferir para ele a culpa pelo incidente. O capitão Brandon Fisher pede uma indenização de US$ 10 milhões (cerca de R$ 50 milhões) por danos morais e emocionais.
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A ação foi protocolada em 30 de dezembro no estado do Oregon e tem como base o episódio envolvendo o voo 1282 da Alaska Airlines, operado por um Boeing 737 Max 9. Pouco depois de decolar de Portland, em 5 de janeiro de 2024, um tampão da porta da cabine se soltou durante o voo, forçando a tripulação a realizar um pouso de emergência. As 177 pessoas a bordo sobreviveram.
De acordo com o processo, a Boeing teria tentado fazer de Fisher um “bode expiatório” após o acidente, ao negar responsabilidade enquanto se defendia de uma ação coletiva relacionada ao caso. Na ocasião, a empresa afirmou que seus produtos teriam sido “mantidos de forma inadequada ou usados indevidamente por pessoas e/ou entidades que não a Boeing”.
Boeing da Alaska Airlines que perdeu a porta logo após decolar de Portland, em 5 de janeiro
NTSB
“A Boeing sabia que essa afirmação era falsa no momento em que foi feita, mas mesmo assim a divulgou como parte de sua estratégia frequentemente usada após acidentes para culpar pilotos por incidentes causados exclusivamente por suas próprias ações”, afirma a ação. Em outro trecho, os advogados sustentam que “ficou claro que as palavras da Boeing eram direcionadas ao capitão Fisher, numa tentativa de pintá-lo como o bode expiatório pelos inúmeros fracassos da empresa”.
Segundo o processo, o piloto sofreu intenso abalo emocional, e as declarações da fabricante teriam “exacerbado dramaticamente os impactos transformadores de vida” decorrentes do incidente.
Em junho, o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB, na sigla em inglês) concluiu que “múltiplas falhas de sistema” da Boeing e da Administração Federal de Aviação (FAA) contribuíram para o episódio. Em agosto, quatro comissários de bordo do mesmo voo também entraram com ações judiciais separadas contra a Boeing, alegando danos físicos e emocionais, segundo a agência Reuters.
Apesar da disputa judicial, autoridades da aviação e executivos da própria Boeing já haviam elogiado publicamente a atuação da tripulação do voo 1282 durante a emergência.
Procurada, a Boeing afirmou, em nota enviada à Fox Business, que continua implementando um “plano abrangente de segurança e qualidade”, desenvolvido com a participação de funcionários e sob supervisão regulatória. “Nos últimos dois anos, analisamos de forma rigorosa todos os aspectos de nossas operações de produção”, disse um porta-voz. “Desenvolvemos um plano abrangente para fortalecer a gestão de segurança, a garantia de qualidade e a cultura de segurança da Boeing — e estamos vendo os benefícios dessas ações.”
A Alaska Airlines informou que não comentaria o processo, mas voltou a elogiar a tripulação do voo 1282 pela “bravura e rapidez de raciocínio” que garantiram a segurança de todos a bordo.
