Piloto que fez pouso de emergência no mar da Barra da Tijuca foi forçado por criminosos a fazer voo em 2021 e atuou na morte de Matemático
O pouso de emergência de um helicóptero sobre o mar na Barra da Tijuca nesta sexta-feira foi feito pelo policial civil Adonis Lopes de Oliveira. Ele conseguiu guiar a aeronave até uma região sem ondas da praia, retirando em segurança os dois passageiros que o acompanhavam. Adonis, que já integrou a Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), é conhecido pela técnica em voos. Em 2021, ele chegou a ser mantido refém ao cair uma armação de criminosos: foi chamado para um transporte em Angra dos Reis, mas, no local, descobriu que os contratantes queriam ir para o complexo penitenciário de Gericinó.
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À época, Adonis contou que foi chamado para o serviço por um empresa privada para substituir um amigo que tinha passado mal. O trabalho era buscar um casal num hotel de luxo em Angra dos Reis, viagem que custou cerca de R$ 14,5 mil. O piloto saiu de uma pista no Recreio e chegou ao local de encontro em pouco mais de meia hora. No heliponto, segundo Adonis, dois homens o esperavam.
—Assim que eu pousei, já achei estranho. Não era um casal, e não tinha funcionários lá. Mandei uma mensagem para a empresa, e disse que algo estava errado. Os dois foram para o banco de trás. Após a decolagem, um dos homens pulou para a frente e me rendeu. Durante todo o tempo, fiquei sem comunicação com a torre de controle — explicou em entrevistas naquele ano.
Armados de pistolas e fuzis, os criminosos o ameaçaram e mandaram que ele se dirigisse até o complexo. Por um código, o piloto disse ter conseguido avisar autoridades da aviação de que estava ocorrendo uma “interferência indevida” a bordo. Para conseguir sair da situação, ele resolveu simular uma pane e tentou aterrissar no 14º BPM (Bangu). Houve luta corporal com os passageiros até que pedissem ao piloto que os deixassem em Niterói. Nessa cidade, eles saíram da aeronave e fugiram.
Morte de Matemático
O policial Adonis foi quem pilotava o helicóptero em ação que resultou na morte do traficante Márcio José Sabino Pereira, o Matemático, em 11 de maio de 2012. Chefe do tráfico na Favela da Coreia, em Bangu, ele era considerado um dos criminosos mais perigosos do Rio, além de ser um dos mais procurados.
Na ocasião, ele dirigia um Renault Logan quando foi atingido nas costas e no joelho por tiros disparados por policiais civis que estavam no helicóptero. Gravemente ferido, o criminoso foi socorrido por cúmplices e levado para o interior da Favela da Coreia, em Bangu, onde aconteceu a operação. O corpo, no entanto, foi encontrado na manhã seguinte, dentro de um carro e em frente a uma escola do bairro.
No ano seguinte, a corregedoria da Polícia Civil abriu um inquérito para investigar a ação, considerando que ela expôs ao risco moradores da comunidade. Em entrevistas naquele momento, Adonis reforçou que os agentes tinham certeza que o criminoso perseguido era Matemático.
— Apesar de a imagem ser feita a uma distância muito longa, e à noite, por conta do biotipo, a gente tinha certeza que era o Matemático.
