PicPay levanta R$ 2,5 bilhões com oferta de ações em Nova York
A PicS NV, fintech brasileira controlada pela família Batista, levantou US$ 434 milhões (R$ 2,5 bilhões) em uma oferta pública inicial (IPO) nos Estados Unidos, precificada no topo da faixa de mercado, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.
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O PicPay, como a empresa é conhecida, vendeu 22,86 milhões de ações a US$ 19 cada, disseram as pessoas, que pediram anonimato por se tratar de informações privadas. O banco digital havia ofertado as ações em uma faixa de US$ 16 a US$ 19.
Um representante do PicPay não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
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O IPO é a primeira estreia de grande porte de uma empresa brasileira desde dezembro de 2021, quando a Nu Holdings, o maior banco digital do país, abriu capital na Bolsa de Valores de Nova York. O Nubank, como a empresa é conhecida, tem hoje um valor de mercado de US$ 90,7 bilhões.
Participantes do mercado afirmam que, apesar do alto custo de manutenção, a busca pela abertura de capital nos Estados Unidos facilita a captação do capital internacional.
Lançado em 2012 como uma carteira digital, o PicPay atualmente opera sob um modelo bancário completo, com cerca de 67 milhões de clientes em dezembro. A família Batista, que controla a JBS, maior produtora de carne do mundo, comprou a empresa em 2015. Atualmente o terceiro maior banco digital do país em número de clientes é apenas parte dos extensos negócios da família.
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Do começo, em 1953, com o que viria a se tornar a JBS, a maior produtora de carnes do mundo, o império empresarial hoje inclui empresas em setores como os de mineração e de produtos de higiene pessoal.
A fintech, que possui licença bancária e atua no Brasil, faz negócios com pessoas físicas e pequenas e médias empresas no país. Nos nove meses encerrados em setembro, o PicPay registrou lucro líquido de R$ 270,4 milhões (US$ 52 milhões) sobre uma receita de R$ 7,26 bilhões, ante um lucro líquido de R$ 150,8 milhões sobre uma receita de R$ 3,78 bilhões no mesmo período do ano anterior.
Na década passada, o PicPay era uma das empresas que buscavam trazer para o Brasil o modelo de carteiras digitais, em um momento em que transferências bancárias não estavam amplamente disponíveis. O negócio deu um salto durante a pandemia da Covid 19, que aumentou a disposição dos brasileiros em utilizar bancos digitais.
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Mas a chegada do Pix, o sistema de transferências instantâneas criado pelo Banco Central, forçou as instituições financeiras a oferecerem o serviço, eliminando uma vantagem competitiva que o PicPay e empresas similares possuíam.
Alguns rivais deram um passo atrás, e outras empresas diversificaram negócios, como o PicPay. A companhia abraçou um modelo de negócios baseado em crédito.
“Embora o PicPay tenha um ecossistema amplo e tenha sido lançado como uma carteira digital com menor volume de ativos, o crédito está se tornando cada vez mais relevante para seu modelo de negócio, lembrando o de bancos digitais como o Nubank”, disse o analista do BTG Pactual, Eduardo Rosman, em uma nota enviada a clientes no ano passado.
