A economia dos Estados Unidos cresceu no terceiro trimestre no ritmo mais acelerado em um ano, impulsionada por investimentos empresariais expressivos e pela resiliência do consumidor americano. O Produto Interno Bruto (PIB), ajustado pela inflação, aumentou 3,4% em termos anualizados nos três meses encerrados em setembro, após avançar 2,2% no segundo trimestre, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo Departamento de Análise Econômica (Bureau of Economic Analysis—BEA, em inglês).
O crescimento do PIB superou a projeção mediana dos economistas consultados pela Bloomberg. No Brasil: Preços de alimentos in natura têm salto de 10,6% no IGP-M sob efeito de condições climáticas adversas
Reforma Tributária: Veja por que o novo imposto sobre o consumo pode ficar maior que o esperado A maior economia do mundo continuou a ser impulsionada por fortes gastos das empresas, em grande parte relacionados a investimentos em inteligência artificial.
Os investimentos em equipamentos contribuíram mais para o PIB no terceiro trimestre do que em qualquer outro período desde 2011, desconsiderando a recuperação após a pandemia. Os gastos das famílias também permaneceram robustos, aumentando 3,8% em termos anualizados pelo segundo trimestre consecutivo, mesmo diante de níveis historicamente baixos de confiança do consumidor, associados às preocupações com o custo de vida.
O relatório é o último grande indicador sobre a saúde da economia dos Estados Unidos antes das eleições legislativas de meio de mandato da próxima semana. Os resultados determinarão quem controlará o Congresso nos dois últimos anos do mandato do presidente Donald Trump, com muitas campanhas eleitorais concentradas nas preocupações com o custo de vida e os preços elevados.
Investimento tem maior crescimento desde 2020 Os investimentos empresariais avançaram 12,7% em termos anualizados, o maior crescimento desde 2020.
Os gastos com equipamentos de processamento de informações e equipamentos industriais registraram forte alta. Contas públicas: Governo registra superávit de R$ 4,8 bilhões em setembro, aponta Tesouro Nacional
As exportações líquidas retiraram 3,3 pontos percentuais do cálculo do PIB do terceiro trimestre, a maior contribuição negativa desde o início do ano passado. Isso provavelmente refletiu uma combinação de fatores, incluindo o aumento das importações — especialmente de equipamentos para centros de dados — e os esforços para antecipar a entrada de mercadorias nos EUA antes da imposição de tarifas e de possíveis interrupções nas cadeias de suprimentos.
Os estoques, por sua vez, contribuíram com 1,6 ponto percentual para o crescimento. Inflação avança
Enquanto isso, dados separados divulgados pelo órgão mostraram que as pressões inflacionárias se intensificaram em setembro. O índice de preços das despesas de consumo pessoal (PCE), a medida de inflação preferida pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano), subiu 0,5% no mês, a maior alta desde março.
Excluindo alimentos e energia, o chamado índice de preços do núcleo avançou 0,3%. Ambos os resultados ficaram em linha com as expectativas.
Advogados, médicos, salões de beleza: Veja o que muda com a alíquota de 11,3% da nova CBS Os dados também mostraram que os gastos pessoais reais ficaram estagnados no fim do terceiro trimestre.
As despesas com bens e serviços, ajustadas pela inflação, praticamente não mudaram em setembro, após um aumento expressivo no mês anterior. O conflito no Oriente Médio e a guerra entre Rússia e Ucrânia elevaram os preços dos combustíveis e de outros produtos, prejudicando a confiança do consumidor.
As tarifas impostas pelo governo Trump também estão encarecendo alguns bens. Os investimentos residenciais continuaram prejudicando o crescimento econômico, uma vez que as elevadas taxas de financiamento imobiliário, que recentemente chegaram a 7,5%, restringiram a compra de imóveis e limitaram a atividade de construção.
Demissão por voto: Governo avalia restringir crédito público a empresa que cometeu assédio eleitoral, diz ministro Olhando adiante, os conflitos no Oriente Médio e a guerra entre Rússia e Ucrânia mantêm elevados os custos de energia em toda a economia.
Isso cria o risco de novos repasses para os preços de outros bens e serviços. Com o índice de inflação PCE, a medida preferida pelo Fed, em 3,6% em setembro — bem acima da meta de 2% do banco central —, os investidores esperam que as autoridades monetárias elevem os juros na reunião de dezembro.
Na quarta-feira, porém, o Fed manteve os custos dos empréstimos inalterados e anunciou a redução de reuniões do banco central americano. Em entrevista coletiva após a decisão, o presidente do Fed, Kevin Warsh, destacou a força da economia e reiterou o compromisso das autoridades monetárias com o controle da inflação.
—Embora ainda haja incertezas, em parte devido aos acontecimentos geopolíticos, os gastos domésticos têm se mostrado resilientes — afirmou Warsh. —O crescimento da produtividade é forte, e os investimentos de capital são robustos.
Vídeo: Universidade dos EUA testa drone com IA que segue pessoas em florestas sem GPS Enquanto isso, empresas de diversos setores, de bancos a restaurantes, afirmaram em teleconferências sobre resultados financeiros que os gastos dos consumidores continuam resilientes.
“Desde que a taxa de emprego permaneça relativamente estável — e parece estar relativamente estável em nosso país —, os consumidores continuarão gastando porque possuem patrimônio”, afirmou Carol Tomé, presidente-executiva da United Parcel Service (UPS), em uma teleconferência sobre resultados realizada no início desta semana.
Ela observou, porém, que os consumidores sem patrimônio estão sob forte pressão financeira. Ainda assim, as empresas afirmam que os preços elevados continuam entre as principais preocupações de muitos consumidores.
A Coca-Cola observou que, embora espere que o comportamento dos consumidores permaneça “praticamente inalterado”, famílias de diferentes faixas de renda continuam priorizando a relação custo-benefício.
O Globo