PIB dos EUA cresce 2,2% no primeiro ano do governo Trump

 

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O PIB dos Estados Unidos cresceu 2,2% em 2025, desacelerando em relação à alta de 2,8% registrada em 2024, segundo estimativa preliminar do Bureau of Economic Analysis (BEA). O resultado reforça a percepção de que a economia manteve expansão no ano passado, mas perdeu fôlego ao longo do período.

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No quarto trimestre, o crescimento foi de 1,4% em taxa anualizada, abaixo dos 4,4% do trimestre anterior. O avanço foi sustentado pelo consumo e pelos investimentos, enquanto a queda dos gastos do governo e das exportações limitou a atividade. O shutdown parcial entre outubro e novembro também impactou o resultado, com efeito estimado de cerca de 1%, embora o impacto total não tenha podido ser estimado.

O resultado trimestral fraco — que ficou abaixo de todas as previsões em uma pesquisa da Bloomberg com economistas — ocorreu enquanto o governo dos EUA permaneceu fechado por quase metade do período de três meses.

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Menos de uma hora antes da divulgação dos dados, o presidente Donald Trump publicou nas redes sociais que a paralisação custaria aos EUA “pelo menos dois pontos do PIB”.

"A paralisação do governo causada pelos democratas custa aos EUA pelo menos dois pontos percentuais do PIB. É por isso que eles estão fazendo isso, em menor escala, novamente. Sem paralisações! E também taxas de juros MAIS BAIXAS. "Tarde demais" Powell é o pior!!!'', escreveu o presidente americano.

Post de Trump após a divulgação do resultado do PIB americano

Reprodução/Rede social

Na inflação, o índice PCE, referência para o Federal Reserve, subiu 2,9% no trimestre, com núcleo em 2,7%, indicando leve desaceleração. O conjunto de dados reforça a leitura de uma economia resiliente, mas em ritmo mais moderado.

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Apesar da desaceleração no fim do ano passado, os dados ainda coroam um ano sólido para a economia dos EUA, que encolheu no primeiro trimestre em meio a um aumento monumental das importações antes da imposição de tarifas, apenas para se recuperar mais tarde no ano.

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A retomada ocorreu depois que Trump recuou de suas tarifas mais punitivas e o Federal Reserve reduziu as taxas de juros, ajudando a levar o mercado de ações a recordes históricos e permitindo que os americanos mais ricos continuassem a gastar.

Trump retomou a Casa Branca no ano passado com a promessa de entregar uma “era de ouro” para os EUA, incluindo trazer a indústria de volta ao país e reduzir o custo de vida. A atividade industrial só começou a ganhar força após um período prolongado de fraqueza, e a taxa de inflação mal se moveu em 2025 — colocando a questão da acessibilidade no centro das eleições legislativas deste ano.

Mesmo com o impacto negativo da paralisação do governo, um indicador da demanda subjacente permaneceu forte no quarto trimestre. Os gastos do consumidor desaceleraram, mas continuaram sólidos, e os investimentos em data centers de inteligência artificial vêm batendo recordes sucessivos nos últimos trimestres.

“Se excluirmos o efeito da paralisação, o crescimento parece mais próximo de 2,5%, com o consumidor americano ainda sustentando a atividade e o investimento ligado à IA realmente fazendo diferença”, disse Olu Sonola, chefe de economia dos EUA na Fitch Ratings, em nota. “Olhando para 2025 como um todo, o crescimento claramente esfriou, mas, dadas as idas e vindas da política econômica, fechar acima de 2% foi melhor do que se poderia esperar”.

Após o relatório, o S&P 500 oscilou na abertura, e os títulos do Tesouro caíram.

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Os gastos do governo federal, excluindo defesa, caíram 24,1% no fim do ano, a maior queda desde 2020. Durante a paralisação, centenas de milhares de trabalhadores ficaram sem pagamento, e outros desembolsos com benefícios foram interrompidos. A Bloomberg Economics estimou que o fechamento reduziu a atividade econômica em cerca de US$ 100 bilhões.

Queda nos gastos do consumidor

Os gastos do consumidor, que representam a maior fatia da atividade econômica, desaceleraram para um ritmo de 2,4%, ante 3,5% no período anterior. A desaceleração se deveu principalmente à menor despesa com bens duráveis, como automóveis. Já os gastos com serviços de saúde atingiram um recorde como proporção do PIB.

As exportações líquidas também pesaram sobre o crescimento do quarto trimestre, quase não contribuindo para o PIB após terem impulsionado a expansão no meio do ano. Dados divulgados na quinta-feira mostraram um aumento do déficit comercial em dezembro.

O investimento empresarial cresceu 3,7%, impulsionado por equipamentos de processamento de informações, refletindo o boom de gastos com inteligência artificial. A expectativa é que isso estimule ainda mais a economia neste ano, com quatro das maiores empresas de tecnologia dos EUA já projetando que gastarão, juntas, cerca de US$ 650 bilhões em 2026 com data centers e equipamentos relacionados.

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Excluindo equipamentos de informática e software, o investimento empresarial caiu em cada um dos últimos três trimestres.

Como as oscilações no comércio e nos estoques distorceram o PIB total no ano passado, economistas estão dando mais atenção às vendas finais a compradores domésticos privados, uma métrica mais restrita da demanda. Esse indicador avançou a um ritmo de 2,4% no quarto trimestre, também uma desaceleração, mas ainda sólido.

“A desaceleração substancial da economia no quarto trimestre reflete o impacto da paralisação do governo... No geral, a economia permaneceu resiliente no ano passado, apesar dos ventos contrários das tarifas e da incerteza relacionada ao comércio”, avalia Eliza Winger, analista da Bloomberg Economics.

Com pouco ou nenhum progresso no controle da inflação no ano passado, além de sinais recentes de estabilização no mercado de trabalho, as autoridades do Fed estão inclinadas a manter as taxas de juros estáveis por enquanto. A ata da reunião de janeiro do banco central americano, divulgada nesta semana, mostrou que vários dirigentes chegaram a sugerir que pode ser necessário elevar os juros caso a inflação permaneça persistentemente alta.

A economia deve crescer, em média, a um ritmo anualizado de 2,5% em 2026, sustentada por gastos resilientes dos consumidores, segundo a mais recente pesquisa da Bloomberg com economistas divulgada na sexta-feira. O pacote de cortes de impostos de Trump — que proporcionará reembolsos maiores no início deste ano — assim como novos cortes esperados nas taxas de juros, devem apoiar o consumo, afirmam os analistas.

Empresas mais cautelosas

As empresas americanas estão um pouco mais cautelosas quanto às perspectivas, já que os indicadores de confiança do consumidor continuam deprimidos. A Walmart, considerada um termômetro do consumo, adotou um tom prudente em sua teleconferência de resultados na quinta-feira, citando condições econômicas imprevisíveis, mesmo com os gastos permanecendo consistentes.

As empresas de alimentos General Mills e Mondelez International também afirmaram estar atentas a famílias mais preocupadas com o orçamento.

O sentimento dos consumidores tem sido pessimista diante de um custo de vida ainda elevado e de perspectivas fracas de emprego. A economia vem do pior ano não recessivo para a criação de vagas desde 2003, tornando o crescimento de 2025 ainda mais surpreendente e levantando dúvidas sobre até onde a expansão pode ir.