Philip Glass pede que Orquestra Sinfônica Nacional dos EUA não toquem seu concerto: 'Valores em conflito'

 

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Há seis anos, a National Symphony Orchestra encomendou ao renomado compositor Philip Glass uma sinfonia em homenagem a Abraham Lincoln para o 50º aniversário do John F. Kennedy Center for the Performing Arts, celebrado em 2022. Glass não cumpriu o prazo, mas sua Sinfonia nº 15 estava programada para ter estreia mundial pela orquestra em junho deste ano.

Na terça-feira, Glass informou ao Kennedy Center que não queria que sua sinfonia — baseada no Discurso do Liceu, proferido por Lincoln em 1838 — fosse apresentada naquele palco. “A Sinfonia nº 15 é um retrato de Abraham Lincoln, e os valores do Kennedy Center hoje estão em conflito direto com a mensagem da sinfonia”, escreveu ele em uma carta pedindo que a orquestra não executasse a obra. Uma cópia da carta foi compartilhada com o The New York Times.

A retirada da obra por Glass, de 88 anos — que recebeu o Kennedy Center Honors em 2018 — é o golpe mais recente para o centro e, em especial, para a cada vez mais isolada National Symphony Orchestra e seu diretor musical, Gianandrea Noseda.

Enquanto grande parte da comunidade artística e muitos frequentadores do Kennedy Center se rebelaram contra os esforços do presidente Donald Trump para reformular a instituição à sua imagem, os dirigentes da orquestra têm insistido em seguir adiante, enfrentando plateias vazias, cancelamentos por parte de artistas como Glass e da célebre soprano Renée Fleming, além de comparações com a Washington National Opera, que transferiu seus espetáculos para fora do centro.

“Vamos fazer isso funcionar”, disse na semana passada Joan Bialek, presidente do conselho da National Symphony Orchestra. “Nasci em Washington, cresci com o Kennedy Center, cresci com a N.S.O., e não posso deixá-la desaparecer. Nós vamos atravessar isso.”