PF prende delegado da Polícia de São Paulo por esquema de lavagem e corrupção
Um delegado da Polícia Civil de São Paulo, João Eduardo da Silva, foi preso nesta quinta-feira (5) sob acusação de receber propina. O objetivo dos pagamentos era frear investigações e proteger uma rede criminosa, alvo de apurações da corporação.
A prisão ocorreu durante a Operação Baazar, deflagrada pela Polícia Federal, pelo Gaeco do Ministério Público e pela Corregedoria da Polícia Civil.
Os fatos investigados ocorreram entre 2022 e 2023, período em que João Eduardo estava lotado no 16º Distrito Policial, na Vila Clementino. Atualmente, ele serve no 35º DP, na Vila Guarani, zona sul da capital paulista.
Detalhes da Rede Criminosa Protegida
Segundo as investigações, o grupo criminoso era formado por doleiros, operadores financeiros e indivíduos com extenso histórico de prática de atos de lavagem de capitais. A organização agia de forma coordenada para garantir a continuidade das práticas ilícitas e evitar a responsabilização de seus integrantes.
Para alcançar seus objetivos, a rede promovia o pagamento sistemático de vantagens indevidas a agentes públicos. Além disso, adotava estratégias de fraude processual, manipulação de procedimentos investigativos e destruição de provas em inquéritos policiais.
Decisão Judicial Revela Objetivo dos Pagamentos
Na decisão que autorizou as diligências, o juiz Paulo Fernando Deroma De Mello, da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores, anotou que os pagamentos buscavam retardar ou evitar atos de ofício por parte dos policiais. O objetivo era obstruir o andamento de inquéritos policiais que apuravam crimes da organização criminosa. Segundo o juiz, o intuito dos corruptores foi alcançado, visto que, apesar dos atos criminosos serem amplamente conhecidos, não houve responsabilização.
Abrangência da Operação Baazar
A operação cumpriu 25 mandados de busca e apreensão, incluindo em unidades policiais. Foram emitidos 11 mandados de prisão e seis mandados de intimação, referentes a medidas cautelares diversas da prisão. Os alvos incluem integrantes da organização criminosa, advogados e policiais civis.
