PF nomeia delegada como nova oficial de ligação no ICE, em Miami, após prisão de Ramagem

 

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A Polícia Federal nomeou uma delegada para exercer a função de oficial de ligação no Immigration and Customs Enforcement (ICE), em Miami, nos Estados Unidos. A portaria assinada pelo delegado-geral Andrei Rodrigues na última sexta-feira foi publicada na segunda-feira, dias após a prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, que já foi solto.

Tatiana Alves Torres vai substituir Marcelo Ivo de Carvalho, que ainda estava no posto durante a prisão de Ramagem. Na segunda-feira, o governo de Donald Trump disse ter identificado uma tentativa de "manipular o sistema de imigração do país" e apontou o envolvimento de um funcionário brasileiro.

Em postagem nas redes sociais, a conta do Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, ligado ao Departamento de Estado, informou que esse servidor deverá deixar o país.

"Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso", diz a publicação, sem mencionar o caso Ramagem.

Nesta terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que ficou sabendo do caso do delegado brasileiro implicado na prisão de Ramagem. A fala ocorreu em conversa com jornalistas na portal do hotel em Hannover, na Alemanha, onde participou da maior feira industrial do mundo e se reuniu com líderes empresariais. O petista afirmou que ainda tem detalhes do que aconteceu, mas destacou que, se houve "abuso" por parte do governo americano, haverá "reciprocidade".

O ex-deputado foi detido por autoridades migratórias americanas após ter o visto vencido. Na semana passada, a Polícia Federal afirmou que a prisão de Ramagem era fruto de colaboração com as autoridades americanas. Ele foi soltou dois dias depois.

O ex-chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) é considerado foragido no Brasil desde que deixou o país após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a mais de 16 anos de prisão por participação na trama golpista, no ano passado.

O registro da detenção chegou a ser incluído no sistema do condado de Orange, com foto (“mugshot”) e indicação de “immigration hold”, o que aponta para uma custódia de natureza migratória, sem acusação criminal local detalhada.

No dia da detenção, a Polícia Federal divulgou nota atribuindo a prisão à cooperação policial que os dois países mantêm. Um servidor da coorporação atua no Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA (ICE) dos Estados Unidos para identificar situações como a de foragidos da Justiça brasileira.

"A prisão decorreu de cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e autoridades policiais dos EUA. O preso é considerado foragido da Justiça brasileira após condenação pelos crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado de Direito", informou a PF em nota, na última segunda-feira.

Após a soltura, autoridades do ICE disseram que houve uma "decisão administrativa" no caso de Ramagem. Na conversa, o órgão americano comunicou o fato de o bolsonarista ter sido solto dois dias depois de ter sido detido na Flórida. Ainda de acordo com integrantes da PF, o ICE informou que Ramagem tem direito à permanência provisória no país.