PF investiga se filho de Lula, o Lulinha, foi sócio oculto do careca do INSS

 

Fonte:


A Polícia Federal investiga se o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, teria atuado como sócio oculto de Antônio Carlos Camilo, conhecido como “careca do INSS”, em entidades suspeitas de realizar descontos ilegais em benefícios previdenciários.

De acordo com o Estadão, a PF informou ao Supremo Tribunal Federal que encontrou menções a Lulinha em três diferentes conjuntos de informações reunidas ao longo da investigação sobre desvios em aposentadorias e pensões do INSS. Entre os indícios analisados, há suspeitas de que Lulinha teria viajado junto com Antônio Carlos Camilo para Portugal.

Ainda segundo apuração revelada durante uma operação no fim do ano passado, o “careca do INSS” teria feito repasses de grandes valores a uma amiga e sócia de Lulinha. Em mensagens que acompanham essas transferências, os investigadores identificaram referências de que o dinheiro seria destinado ao “filho do rapaz”, expressão interpretada como uma possível menção ao filho do presidente da República.

Com a retomada dos trabalhos no Congresso Nacional em fevereiro e a reativação da CPMI do INSS, parlamentares da oposição já se articulam para convocar Lulinha a prestar depoimento. Segundo o senador Izalci Lucas, a estratégia será manter a pressão.

“Vamos insistir até conseguir. O próprio presidente da República, pai dele, disse que, se o filho estiver envolvido, deve esclarecer e participar. Vamos cobrar da base do governo esse compromisso do presidente. É nítido, é claro, o que não falta são provas da participação dele nesse esquema do INSS. Ele viajou várias vezes com o ‘careca’, isso já foi demonstrado, inclusive em viagens a Portugal. A parceria que ele tinha é lógica. Ele era sócio, não há dúvida disso”, afirmou um dos parlamentares da oposição.

Em dezembro, no dia da operação que trouxe o caso a público, o presidente Lula declarou, em discurso, que todos seriam investigados com rigor, independentemente de vínculos familiares. “Se for um filho, será investigado”, disse à época.

Enquanto a oposição defende a convocação de Lulinha, integrantes da base governista no Congresso, que também compõem a CPMI, afirmam que não há necessidade da oitiva neste momento e avaliam que os indícios ainda são incertos.

“O que existe em relação ao filho do presidente Lula é absolutamente nada. Isso já ficou provado agora. A própria Polícia Federal diz que são apenas especulações. No caso do irmão do presidente, a investigação já foi abandonada porque não encontraram absolutamente nada. É preciso que a CPMI continue um trabalho sério”, afirmou o vice-líder do PT na Câmara, deputado Rogério Correia.

Por fim, em meio às investigações, o presidente Lula sancionou a lei que proíbe descontos associativos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. O projeto foi aprovado após a descoberta de uma fraude milionária envolvendo cobranças ilegais.

Além de proibir os descontos, a nova legislação autoriza o sequestro de bens dos responsáveis pelas irregularidades, permite a contratação de empréstimos consignados apenas com autorização por biometria ou reconhecimento facial e proíbe a contratação por procuração ou por centrais telefônicas.