O ex-ministro da Economia Paulo Guedes e o empresário Fábio Lino de Almeida, dono da plataforma de criptomoedas OnilX, são investigados pela Polícia Federal (PF) por suspeita de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, previstos na Lei 7.492/1986. A informação é do jornalista Tácio Lorran, do Metrópoles.
O inquérito foi autuado em 10 de fevereiro, sob sigilo, na 9ª Vara Federal de Curitiba. Os documentos não detalham a conduta atribuída a cada investigado.
Houve despacho em 21 de setembro e novas movimentações em outubro, com petições e diligências policiais cujo conteúdo está sob sigilo. Segundo o Metrópoles, que já havia noticiado o caso em 24 de setembro, Guedes prestou consultoria à OnilX, participou de reuniões estratégicas e teve sua imagem associada à empresa.
Ele também elogiou a plataforma em um evento para cerca de 500 pessoas. A empresa enfrenta 108 ações judiciais, movidas entre 12 de junho e 10 de setembro, por clientes que dizem não conseguir resgatar valores.
Em janeiro, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) suspendeu ofertas públicas de intermediação de valores mobiliários do grupo, medida mantida em abril com a ressalva de que não alcança a simples intermediação de criptoativos sem promessa de rendimento. Nos processos, um casal cobra R$ 876,5 mil da empresa e afirma ter mantido e ampliado aplicações depois de uma reunião com Guedes na sede da OnilX, em abril, sem conseguir resgatar os valores quatro meses depois.
Uma assessora da empresa, citada em uma das ações, teria usado a proximidade com o ex-ministro para atrair clientes, dizendo que ele “tá dentro da empresa” e oferecendo reuniões a investidores com aportes de R$ 3 milhões a R$ 5 milhões. Em algumas ações, investidores falam em esquema de pirâmide financeira, com promessas de rentabilidade de até 2,8% ao mês.
A OnilX nega irregularidades e diz atuar regularmente. Guedes é representado pelos advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, que também defendem Fábio Lino.
A reportagem não registra resposta de Guedes ou de sua defesa às acusações. A participação do ex-ministro nas atividades da empresa não comprova, por si só, irregularidades, e as informações divulgadas não indicam condenação nem permitem concluir que os investigados cometeram os crimes sob apuração.
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